A pesquisa, realizada por um consultor da Consultoria Legislativa do Senado, organiza a análise dos discursos em três períodos distintos: de 2007 a 2014, quando houve um aumento no número de pronunciamentos; depois, uma queda acentuada entre 2014 e 2021, com um pico baixo em 2020, e uma recuperação parcial a partir de 2021. O ano de 2013, marcado por intensas mobilizações sociais, foi um destaque, com quase 6,5 mil falas. Em contraste, 2020 viu um drástico declínio, com apenas pouco mais de mil pronunciamentos, resultado das restrições impostas pela pandemia.
Embora se observe um aumento na quantidade de sessões e propostas aprovadas pós-pandemia, a extensão dos discursos permanece bem abaixo dos níveis de 2007. Em 2024, a mediana de palavras por discurso é menos da metade do que era anteriormente. Esse cenário indica uma futura transformação do espaço de fala dos senadores, potencialmente atrelada ao desgaste do próprio Plenário.
Além disso, o estudo aponta que a comunicação política está cada vez mais adaptada ao novo formato virtual. Os discursos tendem a ser “clipáveis”, ou seja, mais diretos e com menos espaço para improvisos, minimizando o risco de cortes manipulativos em contextos digitais. Há uma percepção de que a pandemia intensificou essa adaptação ao novo cenário, onde a retórica e a linguagem figurativa ganharam destaque, principalmente nas plataformas digitais.
Por outro lado, essa mudança traz implicações para a qualidade do debate. A presença reduzida de apartes nas falas, representando apenas cerca de 10% do que era registrado em 2007, sugere um deslocamento do diálogo para outras esferas, como comissões, que permitem uma discussão mais especializada. Contudo, o Plenário ainda possui um papel simbólico essencial na política, funcionando como palco para exposições públicas e reações entre senadores.
As questões de gênero também emergem nas análises, com um aumento nas interações entre senadoras a partir de 2018, possivelmente como resultado do fortalecimento da Bancada Feminina. Este fenômeno levanta a possibilidade de novas dinâmicas de articulação no Senado, proporcionando espaço para um debate mais equitativo.
Em suma, as evidências indicam que, embora o Plenário mantenha sua relevância simbólica, a direção dos debates e interações tem migrado para ambientes que favorecem uma comunicação mais rápida e eficiente, ainda que isso possa comprometer a profundidade das discussões políticas. O desafio que se coloca para o futuro é encontrar um equilíbrio entre a eficiência comunicativa e a qualidade do debate público, fundamental para a estabilidade do sistema democrático.
