Pontes argumentou que os cursos de formação técnica são fundamentais para identificar e desenvolver talentos entre os jovens, afastando-os de influências negativas, como criminalidade e drogas. Segundo ele, a realidade é preocupante: apenas 11% a 14% dos jovens brasileiros estão matriculados em cursos profissionalizantes. Em comparação, países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como a Coreia do Sul, possuem índices muito mais altos nesse aspecto. Para o senador, é essencial estabelecer políticas de Estado que garantam um aumento significativo nesse número.
O tema central da audiência foi “Governança, Gestão, Qualidade e Avaliação na Educação Profissional e Tecnológica”, e o encontro contou com a participação de especialistas, representantes do Sistema S e gestores do setor. Durante o debate, Almério Melquíades de Araújo, coordinador do Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza, enfatizou a necessidade de integrar o ensino técnico ao ensino médio convencional. Ele observou que alguns estados têm mais da metade dos alunos do ensino médio se dedicando ao ensino técnico, enquanto outros têm menos de 10%, evidenciando uma falta de políticas de incentivo e controle.
A questão da eficiência na gestão dos recursos públicos destinados à educação também foi abordada pelo professor Alaor Mousa Saccomano, do Instituto Federal de São Paulo. Ele referiu-se à educação profissional como o principal motor econômico do país, ressaltando que a falta de governança de qualidade impacta negativamente a execução das políticas educacionais.
Ainda foram discutidas propostas para melhorar a educação profissional, como a criação de conselhos técnicos consultivos regionais nas escolas, que contariam com a participação de empresários para alinhar os currículos às necessidades do mercado de trabalho.
Marilza Machado Gomes Regattieri, especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai, lembrou que o novo Plano Nacional de Educação prevê a ampliação da educação profissional, uma necessidade que requer planejamento adequado e parcerias entre escolas e empresas. Por sua vez, Antônio Henrique Borges Paula, do Senac Nacional, apresentou um modelo de governança que promove autonomia às unidades estaduais na adaptação dos cursos às demandas locais, destacando que a grande maioria de seus formandos já sai empregada.
Ao final da audiência, o senador Marcos Pontes anunciou que as sugestões discutidas durante o evento seriam compiladas em um relatório que servirá de base para futuras propostas legislativas voltadas ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica no Brasil. Este evento foi a segunda de uma série de audiências que a frente parlamentar realizará ao longo da semana.





