Carneiro, que é pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, ressaltou que a melhora nas taxas de homicídios em várias nações latino-americanas não é necessariamente um indicativo de segurança pública efetiva. Em um Estado como Santa Catarina, a taxa de mortes violentas caiu quase 45%, e Minas Gerais viu uma redução de quase 75% no roubo de veículos. Entretanto, isso não significa que a criminalidade tenha de fato recuado; pelo contrário, pode ser um sinal de que o crime organizado expandiu suas operações.
Ele alertou para o crescente mercado clandestino, que inclui o tráfico de produtos legais, como cigarros e medicamentos. A pressão sobre o sistema de segurança pública é imensa, e a ausência de regulamentação clara e fiscalização efetiva têm contribuído para o florescimento dessas atividades. Em São Paulo, por exemplo, os mercados irregulares movimentaram aproximadamente R$ 22 bilhões, com as fraudes bancárias digitais alcançando o montante de R$ 10,1 bilhões em 2024.
Durante a discussão, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira, salientou que a concepção de crime organizado não deve se restringir a imagens estereotipadas de facções nas periferias. Segundo Vieira, essa visão limitante ignora a complexidade e a sofisticação que muitas vezes caracterizam essas organizações criminais.
Além disso, Carneiro trouxe à tona o dilema moral que permeia a sociedade brasileira. Ele citou uma pesquisa da Universidade de São Paulo que indica que cerca de 20% da população entrevistada estaria aberta a consumir produtos ilegais, desde combustíveis a eletrônicos, caso isso representasse uma economia. Esse comportamento evidencia uma conivência com o mercado irregular e uma relação nebulosa com a lei.
Em resposta a questionamentos sobre a falta de integração institucional no combate ao crime organizado, Carneiro sugeriu que é crucial promover uma colaboração mais forte entre as diferentes esferas da polícia e do sistema judiciário. A fragmentação atual prejudica a eficácia das ações para enfrentar muitos dos desafios impostos pelo crime organizado.
A CPI também avançou em outros temas, incluindo a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e a investigação de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Com a condução das investigações, espera-se que se esclareçam questões complexas que permeiam a relação entre economia, crime e política no Brasil.






