Segundo suas declarações, as apostas envolvendo os jogadores foram feitas por iniciativa pessoal, visando apenas ganhar um “dinheirinho” extra. Moura explicou que as apostas eram “casadas”, ou seja, combinadas para aumentar os possíveis ganhos.
A investigação apontou que Luiz Henrique teria recebido transferências financeiras logo após ter recebido cartões amarelos em jogos pelo Betis, na Espanha. O empresário negou conhecer pessoalmente o jogador e afirmou que as transações foram intermediadas por parentes de Lucas Paquetá, que também está sob investigação na Inglaterra por suspeita de envolvimento em esquemas ilegais.
Durante o depoimento, Moura alegou que foi utilizado como “bode expiatório” pela organização criminosa e apontou Thiago Chambó como o responsável por orquestrar todo o esquema. O empresário resistiu em mencionar o nome de Chambó por questões de segurança, mas afirmou que o mesmo estava envolvido em sua delação.
As investigações apontam que o grupo criminoso recrutava jogadores para cometer lances específicos durante as partidas, como receber cartões amarelos ou cometer um número determinado de faltas, tudo para beneficiar os apostadores. Moura relatou que sua primeira tentativa no esquema resultou em uma dívida de R$ 100 mil, mas que posteriormente conseguiu obter lucros consideráveis, sendo o maior deles de R$ 720 mil em uma única rodada.
Apesar de alegar ser apenas responsável por cooptar os jogadores, Moura admitiu intermediar os pagamentos entre Chambó e os atletas envolvidos. O depoimento durou mais de seis horas e agora será analisado pela CPI. Tanto Paquetá quanto Luiz Henrique estão previstos para depor nas primeiras semanas de dezembro, segundo o presidente da comissão parlamentar, senador Jorge Kajuru.






