SENADO FEDERAL – Em audiência pública, senadores e especialistas apoiam a construção da ferrovia Ferrogrão como importante impulso ao desenvolvimento.

Parlamentares e entidades do agronegócio e logística estão defendendo a implementação do projeto da ferrovia Ferrogrão e o início das obras. Essa foi a principal conclusão da audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) nesta quarta-feira (30). A Ferrogrão, que tem mais de 900 quilômetros de extensão, foi projetada para escoar a produção de grãos da região de Sinop (MT) até o porto de Miritituba, em Itaituba (PA). No entanto, o projeto foi contestado na Justiça e está em discussão desde 2021 no Supremo Tribunal Federal.

Durante o debate, que foi requerido pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), os participantes concordaram que a Ferrogrão é essencial para a consolidação de um novo corredor ferroviário de exportação pelo Arco Norte. Além disso, destacaram os benefícios que a ferrovia pode trazer, como a redução do tempo e dos custos logísticos, estimados em R$ 6 bilhões por tonelada/ano, a contribuição para a descarbonização da matriz de transporte, com uma compensação ambiental de R$ 765 milhões, e a geração de empregos.

No entanto, a Ferrogrão está parada desde março de 2021 devido a uma ação direta de inconstitucionalidade movida pelo PSol no STF. O partido questiona a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA), que fica entre os municípios de Sinop (MT) e Itaituba (PA). Apesar disso, o projeto faz parte do novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante a audiência, o senador Zequinha Marinho argumentou que a ferrovia não causará problemas ambientais, já que a sua construção vai ocorrer na mesma faixa da rodovia BR-163, que está há quase 50 anos no local. Ele ressaltou que a implementação da Ferrogrão resultará em uma redução significativa na queima de combustíveis fósseis e na emissão de CO2.

Outros participantes da audiência também defenderam a importância da Ferrogrão. O CEO da Estação da Luz Participações (EDLP), Guilherme Quintella, afirmou que a obra não teria grandes impedimentos, devido à topografia e relevo favoráveis da região. Ele argumentou que a substituição da rodovia pela ferrovia resultaria em uma redução de R$ 60 no custo logístico médio de todo o estado do Mato Grosso.

O senador Jayme Campos (União-MT) ressaltou a insustentabilidade do tráfego na BR-163 e mostrou preocupação com a construção da ferrovia. Flávio Acatauassú, presidente da Associação dos Terminais Portuários da Bacia Amazônica (Amport), destacou a complementaridade dos modais rodoviário e ferroviário e os benefícios socioeconômicos e ambientais da Ferrogrão.

Elizabeth Pereira Lopes, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ressaltou a importância da ferrovia para o agronegócio brasileiro, já que Mato Grosso é o maior produtor de soja e milho do país. Ela destacou a necessidade de reduzir a dependência do transporte rodoviário, que aumenta os custos, e oferecer uma alternativa viável para o transporte de grãos.

A diretora do Departamento de Obras e Projetos da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF/MT), Maryane da Silva Figueiredo Araújo, afirmou que não há sobreposição do traçado com comunidades indígenas ou quilombolas e que o Ministério dos Transportes está em contato com o Ministério do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas para implementação da ferrovia.

Como podemos ver, parlamentares e representantes do setor do agronegócio e logística estão unidos na defesa da ferrovia Ferrogrão. Eles acreditam que a obra é fundamental para o desenvolvimento econômico da região e trará benefícios tanto logísticos quanto ambientais. Resta agora aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal para que o projeto possa seguir adiante e contribuir para impulsionar o transporte de grãos e o crescimento do país.

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