Em 2024, uma cobertura jornalística inovadora possibilitou a produção de um documentário que, lançado em 2026, resgata um capítulo significativo da história brasileira. O filme 1988: A Constituição de um Sonho traz à tona relatos de cidadãos de Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro, que enviaram cartas à Assembleia Nacional Constituinte, oferecendo sugestões e reflexões durante um momento crucial na formação da Carta Magna do país.
A origem deste projeto remonta a uma reportagem especial que, após dois anos de intenso trabalho, catalogou mais de 72 mil cartas enviadas por brasileiros em busca de um espaço na nova Constituição. Utilizando uma aplicação interativa, o público pode pesquisar essas cartas conforme diferentes critérios, incluindo nome, cidade e assunto. Essa ferramenta, desenvolvida pela equipe da Agência Senado, revelou-se essencial para a equipe do documentário, que utilizou os dados coletados para reconectar as vozes de Itaperuna às suas histórias.
Luiz Carlos Rocha, um dos diretores do filme, enfatiza que a colaboração com o Senado foi fundamental para viabilizar o projeto. “O filme não aborda a política atual, mas sim o processo histórico que permitiu a participação dos cidadãos comuns na construção de um documento tão significativo”, destacou o cineasta. Silvio Burle, coordenador-geral da Agência Senado, complementou que é gratificante ver o projeto ganhando vida e estimulando reflexões sobre uma época que moldou o país.
A ideia da reportagem surgiu do servidor Florian Madruga, que se inspirou em um livro que documentava a iniciativa Fala Gente, que incentivava a população a enviar suas sugestões para a nova Constituição. Reconhecendo a relevância histórica das cartas, Florian empenhou-se em digitalizá-las e torná-las acessíveis, uma ação que culminou na produção do documentário.
O filme conta a história de personagens marcantes, como Dária Maria Guimarães, que escreveu após a perda de sua filha. Seu relato, que expressa sonhos de inclusão educacional e mudanças sociais, ainda ressoa mais de três décadas depois. “A mobilização social é o motor para transformações reais na sociedade”, afirmou Rocha, reforçando a necessidade de um engajamento contínuo para a defesa da democracia e dos direitos sociais.
Apesar de ser um projeto independente, o documentário recebeu apoio de instituições como a Câmara dos Deputados e o Arquivo Nacional. Estreando em Itaperuna no dia 30 de abril, o filme agora busca reconhecimento em festivais, planejando uma futura liberação ao público geral. Essa trajetória não apenas celebra um marco da história política brasileira, mas também conecta a sociedade a um passado que continua a inspirar mudanças e esperanças para o futuro.





