SENADO FEDERAL – Diagnóstico Precoce e Acesso à Saúde São Cruciais no Combate ao Glaucoma, Alertam Especialistas em Audiência Pública no Senado.

O glaucoma, considerado um conjunto de doenças que afetam o nervo óptico e que é a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo, deve ser enfrentado com a adoção de diagnósticos precoces e a ampliação dos serviços de saúde básicos. Esse foi o consenso de especialistas durante uma audiência pública realizada na última quarta-feira, 27, nas comissões de Transparência, Fiscalização e Controle e de Assuntos Sociais do Senado.

Essa audiência foi promovida em alusão ao mês de conscientização sobre o glaucoma, atendendo aos pedidos do senador Dr. Hiran, presidente da Comissão de Transparência, e da senadora Damares Alves. Durante os debates, Dr. Hiran expressou sua preocupação com a realização de exames de vista por profissionais sem a devida formação técnica, destacando que esses exames não podem ser confundidos com avaliações diagnósticas mais complexas relacionadas ao glaucoma. Ele observou que muitos pacientes, ao saírem dos consultórios com prescrições para óculos, podem ignorar a detecção de uma condição que poderia ter sido identificada precocemente.

O vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Glaucoma, Jair Giampani Júnior, reforçou que a prevenção é crucial, especialmente considerando que a doença frequentemente se desenvolve sem apresentar sintomas. Ele alertou sobre a maior incidência do glaucoma entre grupos vulneráveis, como mulheres e a população negra e indígena, além de mencionar que o envelhecimento da população tende a agravar o problema. Segundo Giampani, entre 50% e 90% das pessoas que sofrem de glaucoma não têm consciência de sua condição, o que as torna muito suscetíveis a complicações e diagnósticos tardios.

Jayter Silva de Paula, representante da Sociedade Brasileira de Glaucoma, também manifestou preocupação com a falta de dados sobre a prevalência do glaucoma no Brasil. Ele pediu urgência em ações legislativas que visem aumentar o controle na prescrição e venda de colírios à base de corticoides, cuja utilização indevida está relacionada a formas da doença. Silva sugeriu a criação de protocolos para monitoramento da pressão ocular e campanhas informativas para conscientização da população sobre a doença.

Cláudia Galvão Pedreira, integrante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), afirmou que, apesar do Brasil contar com um bom número de oftalmologistas e a infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda existem grandes desigualdades regionais que dificultam o diagnóstico precoce do glaucoma. Ela ressaltou que é necessário transformar o conhecimento técnico em acessibilidade para cidadãos de áreas mais remotas, onde há dificuldade de acesso a especialistas.

Por fim, Carmen Cristina Moura dos Santos, do Ministério da Saúde, informou que o SUS está em constante aprimoramento para lidar com o diagnóstico e tratamento do glaucoma, mesmo reconhecendo os desafios enfrentados. Moura destacou a importância das campanhas de conscientização para a prevenção da perda da visão, sinalizando que o alerta sobre a importância do diagnóstico precoce é fundamental para a luta contra a doença.

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