SENADO FEDERAL – “Debate destaca preconceito e acessibilidade como barreiras à inclusão de autistas no mercado de trabalho em audiência da Comissão de Direitos Humanos.”

No dia 9 de outubro, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) promoveu uma audiência pública que destacou as barreiras enfrentadas por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho. A reunião foi motivada pela celebração do Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, realizado em 2 de abril.

A senadora Damares Alves, presidente da CDH, abriu o debate ressaltando que o preconceito é um fator determinante que impede a contratação de profissionais autistas. Segundo ela, muitos empregadores ainda se baseiam em mitos, como a crença de que autistas enfrentam dificuldades extremas em ambientes de trabalho, especialmente em relação a crises sensoriais e socialização. “Os autistas estão prontos para o mercado, somos nós que não estamos preparados para recebê-los”, afirmou a senadora, fazendo uma comparação com a aceitação de pessoas com deficiências físicas, como aqueles que utilizam cadeiras de rodas.

O Censo de 2022 realizado pelo IBGE apontou que cerca de 2,4 milhões de pessoas no Brasil foram diagnosticadas com autismo, representando 1,2% da população total. Contudo, os dados sobre a empregabilidade de indivíduos com TEA são escassos, o que levanta preocupações entre os debatedores. Priscilla Selares, representante do Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, identificou o preconceito, a falta de previsibilidade e as dificuldades de comunicação como alguns dos principais empecilhos na inclusão desses profissionais no mercado de trabalho. Para ela, adaptar o ambiente de trabalho é essencial: isso pode incluir a disponibilização de ferramentas que ajudem a diminuir estímulos sensoriais, como abafadores de ruído e óculos com proteção para luz.

Luciana Mendina, da Associação Inclusiva, defendeu que as leis já existentes de inclusão no Brasil são eficazes, mas enfatizou a importância do acolhimento humano e da empatia. “Precisamos de um espaço onde possamos nos conhecer, tomar um café e conviver, pois não existe lei que substitua o contato humano”, afirmou.

Com relação às oportunidades de emprego, a auditora fiscal Luciana Xavier Sans de Carvalho lembrou que pessoas autistas têm direito a ser incluídas nas cotas destinadas a pessoas com deficiência, conforme a legislação vigente, que é obrigatória para empresas com mais de 100 funcionários. Ela alertou sobre a necessidade de proteger esses direitos de possíveis retrocessos e de expandir a inclusão em empresas menores.

Diversos relatos durante a reunião enfatizaram que muitos autistas acabam ocultando sua condição por medo de preconceito. O neuropsicanalista Omar Heart compartilhou uma experiência alarmante, narrando um caso em que um jovem autista sofreu uma crise sensorial e acabou demitido em circunstâncias adversas. Por outro lado, o empresário Thomas Strauss destacou a capacidade de hiperfoco dos autistas em áreas específicas, mostrando que muitas empresas, como o Itaú, estão se beneficiando ao acolher esses profissionais.

O evento ainda contou com a participação de diversas figuras da área, incluindo representantes de instituições e ativistas, evidenciando a necessidade de ações concretas para garantir a inclusão e valorização das pessoas com autismo no cenário profissional brasileiro.

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