SENADO FEDERAL – CPMI do INSS busca prorrogação para aprofundar investigações sobre fraudes e descontos ilegais em aposentadorias até 28 de março, revela senador Carlos Viana.

Senadores e deputados estão se mobilizando para estender o período de investigação sobre os descontos ilegais nas folhas de aposentados e pensionistas do INSS. O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), senador Carlos Viana, do Podemos, de Minas Gerais, anunciou recentemente via redes sociais que está iniciando uma coleta de assinaturas para solicitar a prorrogação dos trabalhos do colegiado, que atualmente tem sua conclusão marcada para 28 de março.

Em suas declarações, Viana defendeu a necessidade de aprofundar as investigações, afirmando que “não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas.” O senador demonstrou confiança de que o pedido de extensão será considerado de maneira séria, ressaltando a importância do compromisso do Congresso Nacional com a fiscalização e a resposta ao povo brasileiro.

Desde dezembro, Viana já havia manifestado a intenção de prorrogar as atividades da CPMI por mais 60 dias, a fim de garantir que todas as pessoas convocadas sejam ouvidas. Até o fim de novembro, somente em uma reunião, a comissão aprovou 300 requerimentos de convocação de autoridades e pedidos de informação.

A CPMI do INSS, instalada em 20 de agosto de 2023, já realizou 29 reuniões até início de dezembro e planeja reiniciar os trabalhos em 5 de fevereiro deste ano. Um dos focos principais da comissão será a análise de fraudes envolvendo empréstimos consignados, com indícios de assédio, concessão de créditos sem consentimento e renovações fraudulentas que resultaram em dívidas incontroláveis para os aposentados.

No decorrer das investigações, a comissão ouviu 26 testemunhas, entre elas, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que foi descrito pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, como o responsável pelo maior golpe contra aposentados e pensionistas da história do Brasil. Dados levantados indicam que Antunes teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses durante a operação do esquema.

Além disso, a CPMI lidou com situações complicadas, como depoentes que se recusaram a falar, respaldados por habeas corpus, e alguns que foram acusados de mentir durante os depoimentos. Isso levou à emissão de ordens de prisão contra figuras como Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, e Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de pagamentos do INSS.

Até o início de janeiro de 2026, a CPMI contabilizava 4.800 documentos analisados, 73 requerimentos de informação e 48 quebras de sigilo. A atuação da comissão já revelou a identificação de 108 empresas suspeitas, além de movimentações financeiras que ultrapassam R$ 1,2 bilhão em transações inadequadas. A expectativa é que a prorrogação dos trabalhos garanta um desdobramento ainda mais detalhado e completo das investigações em andamento.

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