O encontro contou com a participação de advogados, acadêmicos e especialistas que compartilharam suas críticas e sugestões, abordando temas relevantes como o direito civil digital, a regulamentação de fundos de investimento, contratos imobiliários e a questão dos direitos reais sobre bens alheios.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que presidiu a sessão, enfatizou na abertura do evento a importância vital desses ramos do direito para a estrutura das relações privadas, refletindo diretamente na segurança jurídica e no desenvolvimento econômico do país. Segundo ela, o direito das coisas está intrinsecamente ligado à propriedade individual e à posse, afetando diretamente a vida de cidadãos que compram imóveis ou buscam a regularização de bens. Ao mesmo tempo, o âmbito empresarial é essencial para a geração de empregos e o fluxo de riquezas.
Marcus Vinícius Furtado Coelho, representante do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), fez um apelo para que as empresas sejam vistas como aliadas no processo de desenvolvimento do país, em vez de adversárias, como algumas vozes da sociedade têm sugerido. Ele argumentou que o fortalecimento da livre iniciativa é imprescindível para o progresso econômico e social.
Os participantes expressaram uma variedade de opiniões sobre o projeto. Henrique Barbosa, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (Ibrademp), manifestou sua preocupação com o fato de que a discussão sobre o Livro de Direito de Empresa está sendo negligenciada. Venceslau Tavares Costa Filho, advogado e professor, criticou a inclusão de questões como direitos autorais e marcas dentro do Código Civil, argumentando que isso representaria um retrocesso jurídico.
Por outro lado, especialistas como Roberta Mauro Medina Maia e Otávio Yazbek apresentaram sugestões que incluíam mudanças no artigo 1.228 sobre o direito de propriedade e a regulamentação de fundos de investimento.
Os relatores parciais do projeto, Paula Andrea Forgioni e Marco Aurélio Bezerra de Melo, responderam às críticas e agradeceram pelas contribuições, destacando a necessidade de modernização do direito aplicável às empresas e do direito das coisas. Em suas observações finais, Flávio Tartuce, relator-geral do anteprojeto, ressaltou que esta foi a 16ª audiência da comissão, elogiando a qualidade dos debates e a disposição dos participantes em colaborar para o aprimoramento do projeto. A continuidade desses diálogos é fundamental para garantir um Código Civil que atenda às necessidades contemporâneas da sociedade e do ambiente empresarial no Brasil.
