A antropóloga Beatriz Accioly, da Universidade de São Paulo, levou à discussão uma questão alarmante: o uso de novas tecnologias como instrumentos de violência contra mulheres. Accioly enfatizou o papel das plataformas digitais na disseminação de conteúdos prejudiciais, como a veiculação de imagens sem consentimento, especialmente por meio de recursos de inteligência artificial. Para ela, a responsabilidade por essas práticas não deve recair somente sobre os indivíduos que produzem o conteúdo, mas também sobre as plataformas que permitem sua ampla circulação.
“É fundamental analisar como esses ambientes funcionam e quais incentivos organizam a troca de informações. O engajamento gerado por esse tipo de conteúdo não pode ser ignorado”, afirmou Accioly, destacando a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa das plataformas digitais. Sua fala provocou reflexão sobre a estrutura que facilita a normalização desse tipo de violência, ressaltando a urgência de um olhar mais crítico sobre a responsabilidade compartilhada.
A deputada Luizianne Lins, que solicitou a reunião, mencionou a essencialidade da parceria entre os diferentes poderes do governo no avanço das políticas contra a violência de gênero. “Estamos construindo um espaço de diálogo e buscando ações concretas que articulem Judiciário, Legislativo e Executivo”, declarou Lins.
Além disso, Janara Kalline, representante do Ministério das Mulheres, trouxe à tona dados preocupantes sobre a segurança das mulheres na internet. De acordo com Kalline, a violência digital, que atinge especialmente jovens, vem aumentando de forma alarmante. Para combater esse cenário, o Ministério está implementando iniciativas, como a capacitação de atendentes do Ligue 180, com foco em como lidar com denúncias de crimes virtuais.
O evento marca mais um passo em direção à construção de um ambiente mais seguro e equitativo para as mulheres, refletindo o compromisso de diversas esferas da sociedade em enfrentar e erradicar a violência de gênero.
