SENADO FEDERAL – Comissão de Direitos Humanos Aprova Proposta que Susta Aborto Legal para Crianças Vítimas de Estupro, Levando Questão ao Plenário do Senado

Na terça-feira (2), a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou uma proposta que busca revogar a Resolução 258 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que garante o aborto legal para crianças e adolescentes em situações de gravidez resultante de estupro. O Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), que agora segue para votação em plenário, foi apresentado pela deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e recebeu um requerimento de urgência, que acelerou sua tramitação.

Durante a sessão, o senador Paulo Paim (PT-RS) solicitou uma vista regimental, que foi concedida por apenas uma hora pelo presidente da CDH, senador Márcio Bittar (PL-AC). O informe sobre o projeto foi lido pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que atua como relatora do texto.

A Resolução 258, aprovada em 2024, trata dos direitos e atendimentos a crianças e adolescentes que sofreram violência sexual. Ela estabelece protocolos para o cuidado desses jovens, incluindo treinamento de profissionais de saúde para detectar casos de abuso e garantir um atendimento sigiloso, rápido e sem preconceitos. A norma prioriza os interesses da vítima, assegurando seu direito a um tratamento humanizado e à escuta especializada, além de prevenir a revitimização em ambientes judiciais e hospitalares.

No entanto, a proposta de revogação sustenta que a resolução ultrapassa as competências atribuídas ao Conanda, ao regulamentar temas que deveriam ser decididos pelo legislador. Damares Alves argumentou que a norma cria direitos que não são conferidos ao conselho, além de desconsiderar a participação dos responsáveis legais nas decisões que envolvem menores de idade. Ela destacou que a proposta da resolução poderia enfraquecer a proteção da criança ao permitir que procedimentos relacionados à interrupção da gravidez fossem realizados sem a supervisão dos responsáveis, questionando quem assumiria a responsabilidade legal nessas situações.

Ainda, Alves defendeu que a nova legislação sobre o assunto deve ser discutida diretamente em âmbito legislativo, cabendo ao Congresso Nacional definir as diretrizes de forma mais adequada. Ela enfatizou que apenas um número reduzido de instituições apoiou a resolução, argumentando que a discordância de órgãos governamentais e parlamentares reflete a necessidade de um reexame profundo da questão.

A discussão sobre os direitos das crianças e adolescentes, especialmente em situações de violência, continua a ser um tema delicado, que envolve não apenas questões legais, mas também éticas e sociais. A aprovação do PDL pode ter implicações significativas na forma como essas questões são abordadas no Brasil, levantando preocupações acerca do cuidado e da proteção adequados desses jovens em situações de vulnerabilidade. A tramitação do projeto seguirá agora para o plenário, onde a discussão deverá se aprofundar ainda mais.

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