SENADO FEDERAL – Cerca de 1,65 milhão de crianças brasileiras em trabalho infantil em 2024: audiência discute ações urgentemente necessárias para erradicar essa violação de direitos.

Em 2024, aproximadamente 1,65 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos no Brasil se encontravam em situação de trabalho infantil, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Este número representa cerca de 4,3% da população dessa faixa etária e foi tema central da audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) no dia 9 de outubro. O evento uniu representantes do governo e de organizações não governamentais, com o objetivo de discutir estratégias eficazes para prevenir e erradicar essa grave violação de direitos.

Durante a audiência, foram abordadas atividades que tradicionalmente exploram a mão de obra infantil, como trabalho doméstico, agricultura e comércio ambulante. No entanto, especialistas destacaram novos desafios, como a crescente incidência do trabalho infantil no ambiente digital, um espaço ainda carente de regulamentação. Essa nova forma de exploração inclui a geração de conteúdo e renda por crianças em redes sociais, um fenômeno cuja regulamentação é urgente para evitar retrocessos sociais.

A senadora Damares Alves, que propôs a discussão, enfatizou a necessidade de fortalecer ações voltadas para a prevenção e fiscalização do trabalho infantil. Segundo ela, embora os dados mostrem uma diminuição nos índices de trabalho infantil nos últimos anos, os números ainda são alarmantes e exigem uma ação coletiva para garantir o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. O secretário nacional substituto dos Direitos da Criança e do Adolescente, Fábio Meirelles, também compartilhou dados positivos, revelando que houve uma redução de cerca de 24% na incidência do trabalho infantil desde 2016, com a introdução de um novo Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil que se estende até 2035.

Outra questão importante discutida na audiência foi a desigualdade racial, com a revelação de que 66% das crianças e adolescentes que trabalham são negros, destacando a necessidade de abordagens específicas para enfrentar essa desigualdade. Além disso, a preocupação com os riscos associados ao trabalho infantil digital, como assédio e exploração, foi amplamente discutida, levantando o alerta sobre a necessidade de regulamentação para proteger essas crianças.

Representantes de diversos ministérios defenderam a união de políticas públicas para enfrentar o problema, enfatizando que fatores como pobreza, evasão escolar e vulnerabilidade social estão interligados ao trabalho infantil. A integração de medidas nas áreas de educação, assistência social e saúde é considerada fundamental para desencadear mudanças efetivas e duradouras nesse cenário preocupante.

De acordo com a legislação brasileira, o trabalho infantil é estritamente regulado, com proibições que variam de acordo com a faixa etária. A lei proíbe qualquer forma de trabalho antes dos 13 anos, permite apenas a condição de aprendiz entre 14 e 15 anos, e autoriza o trabalho aos 16 e 17 anos, desde que com carteira assinada e respeitando restrições em relação a atividades insalubres e horários noturnos.

Portanto, a luta contra o trabalho infantil no Brasil requer um esforço conjunto e contínuo para implementar políticas efetivas, garantindo o futuro dessas crianças e adolescentes e promovendo seus direitos fundamentais.

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