Entre as principais inovações do Estatuto, destaca-se a ênfase na autonomia do paciente. A norma assegura que todas as pessoas têm o direito de participar ativamente das decisões relacionadas ao seu tratamento, recebendo informações claras e detalhadas sobre diagnósticos, prognósticos, riscos, benefícios e alternativas terapêuticas. Isso inclui a possibilidade de aceitar ou recusar procedimentos médicos e escolher um representante em caso de incapacidade para tomar decisões.
Além disso, o Estatuto aborda a questão da privacidade e dignidade dos pacientes, garantindo o direito de contar com um acompanhante durante consultas e internações, além de assegurar acesso ao prontuário médico. O documento enfatiza a importância da confidencialidade das informações de saúde, proíbe qualquer forma de discriminação no atendimento e estipula o respeito pelo nome preferido e pelas características culturais, sociais e religiosas dos pacientes. Também institui a necessidade de cuidados paliativos e suporte aos familiares em situações de doenças graves.
Outro aspecto relevante é a responsabilidade dos pacientes e de seus representantes. A lei estabelece que os indivíduos devem fornecer informações precisas sobre seu histórico de saúde, seguir orientações médicas e respeitar as normas das instituições de saúde.
A proposta que originou o Estatuto contou com esforços significativos no Congresso Nacional, liderados por diversos deputados, e foi aprovada pelo Senado em março de 2023. O senador Humberto Costa, relator da proposta, comentou sobre a importância do Estatuto para garantir um atendimento mais humano e ético, ressaltando que um conjunto claro de direitos deve reduzir incidentes lamentáveis na área da saúde. Ele afirmou que, se a legislação já estivesse em vigor, eventos trágicos poderiam ter sido evitados.
Com a implementação desse Estatuto, espera-se que a relação entre profissionais de saúde e pacientes seja redefineada, promovendo um ambiente mais seguro e respeitoso para todos os usuários dos serviços de saúde no Brasil.
