SENADO FEDERAL – “Brasil Define Estratégia Nacional para Mitigação das Mudanças Climáticas em Audiência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária”

Na busca por uma abordagem sustentável frente às mudanças climáticas, o Brasil está em vias de desenvolver uma estratégia nacional que considere a necessária harmonia entre crescimento econômico, progresso social e segurança alimentar. Essa ponderação foi amplamente discutida durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, realizada recentemente.

O encontro, que visou discutir as responsabilidades do setor agropecuário na mitigação dos efeitos climáticos, foi convocado pelo senador Zequinha Marinho, atual presidente da comissão. O plano em foco, denominado “Plano Clima 2024-2035”, atualmente revisado pelo governo, propõe 16 estratégias e abrange sete setores principais: agricultura e pecuária, conservação da natureza, energia, indústria, transportes, urbanização e gestão de resíduos.

Durante o debate, Marcelo Morandi, chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Embrapa, enfatizou que todos os países estão revisitando seus compromissos em face das mudanças climáticas. Ele destacou que as metas de redução de emissões estabelecidas no contexto do Acordo de Paris não apenas visam minimizar os impactos ambientais, mas também traçam um caminho para o desenvolvimento do país. As diretrizes nacionais, que incluem a “Contribuição Nacionalmente Determinada” (NDC), buscam uma economia de menor carbono, vinculando a melhoria ambiental ao progresso social e econômico.

A senadora Tereza Cristina expressou preocupação em relação às responsabilidades atribuídas ao agronegócio, que arca com uma parcela significativa das emissões decorrentes do desmatamento. Para ela, essa assimetria pode comprometer a competitividade do setor diante de outras áreas da economia. O senador Jaime Bagattoli, por sua vez, apontou uma disparidade entre as obrigações do agronegócio e as do setor energético, questionando se a carga ambiental estava sendo distribuída equitativamente.

O secretário de Inovação do Ministério da Agricultura, Pedro Neto, sublinhou a necessidade de um diálogo amplo para que o plano abranja todas as perspectivas do agronegócio, que representa um eixo central da economia brasileira.

O consultor da OCB, Leonardo Papp, argumentou pela necessidade de um tratamento equilibrado e racional das questões climáticas, sublinhando a importância das decisões políticas para a imagem do país. Já representantes do governo, como o secretário nacional de Mudança do Clima, Aloisio Lopes Pereira de Melo, reafirmaram o compromisso com a inclusão e a participação efetiva de todos os setores no desenho de um plano que seja não apenas viável, mas também implementável.

A construção dessa estratégia nacional demandará a colaboração entre os diversos setores produtivos, com um alerta para as desigualdades nas responsabilidades e desafios que cada um enfrenta. Em última análise, busca-se garantir que o Brasil não apenas cumpra metas internacionais, mas encontre uma maneira equilibrada de avançar em direção a um futuro sustentável.

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