O sociólogo Herbert José de Souza, carinhosamente conhecido como Betinho, pode ver seu legado eternizado no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, caso um projeto de lei proposto pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) seja aprovado. Apresentado em 11 de maio, o projeto de lei, que ainda aguarda análise nas respectivas comissões, tem como objetivo reconhecer a contribuição de Betinho à sociedade brasileira.
Betinho, nascido em 1935 na cidade mineira de Bocaiúva e falecido em 1997 no Rio de Janeiro, teve sua trajetória marcada por um compromisso inabalável com a justiça social e a democracia. Formado em sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele se destacou como militante desde a juventude, engajando-se em movimentos sociais relacionados à Ação Católica. Nos anos 1960, ele se tornou um importante defensor das reformas de base durante o governo de João Goulart, um período em que a luta pela igualdade social começava a tomar força no país.
A senadora Teresa Leitão destaca que a inscrição de Betinho no Livro dos Heróis não é apenas um reconhecimento, mas uma celebração de sua resistência durante momentos sombrios da história brasileira, como o golpe militar de 1964. Diante da repressão, Betinho foi forçado ao exílio em 1971, vivendo em países como Chile, Canadá e México, onde continuou sua luta por um Brasil mais justo e democrático.
Após seu retorno com a anistia, Betinho se transformou em um símbolo da redemocratização. Ele ficou conhecido como “o irmão do Henfil” através da famosa canção “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizada por Elis Regina. Sua vida, entretanto, não foi só marcada por sua militância política; Betinho também enfrentou desafios pessoais, sendo hemofílico e, posteriormente, contaminado pelo vírus da Aids, o que comprometeu sua saúde nos últimos anos.
Em 1993, ele fundou a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, uma iniciativa que mobilizou a sociedade em torno do urgente problema da fome no Brasil. Sob sua liderança, a campanha se transformou em um chamado coletivo à ação, cristalizando sua visão de que a fome no país não poderia esperar. A proposta de inclusão de seu nome no Livro dos Heróis reflete, portanto, não apenas sua luta pessoal, mas um ideal de solidariedade e justiça que continua ressoando na sociedade brasileira.





