O senador Renan Calheiros, presidente da CAE, abriu a sessão enfatizando que o escândalo do Banco Master revelou “brechas legais” e uma “cegueira fiscalizatória deliberada”. Calheiros defendeu a urgência de se revisitar a legislação acerca dos crimes financeiros e a relação entre autoridades e o mercado. Ele também pediu maior transparência nas investigações, solicitando cooperação entre diversas instituições, incluindo o próprio Banco Central e a Polícia Federal.
Um dos pontos centrais da discussão foi a divulgação de dados sobre as operações do Banco Master, que atraiu investidores com CDBs a altíssimos juros de 40% do CDI. Galípolo destacou a preocupação não apenas com essas ofertas, mas principalmente com a destinação dos recursos captados, que não estariam sendo aplicados adequadamente.
Ele revelou também que o Banco Central está tomando medidas para reforçar a segurança do sistema financeiro, com melhorias nas regras de supervisão e regras de alocação de recursos. Galípolo ressaltou que a investigação envolvendo o ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, trouxe à tona a complexidade das interações entre o setor financeiro e as autoridades.
Em um momento crítico da audiência, Calheiros apontou que ex-diretores do Banco Central estiveram envolvidos em práticas de advocacy em favor de Vorcaro, o que intensificou as acusações de corrupção e favorecimento. Sua solicitação por mais transparência nessa questão foi recebida com ênfase por Galípolo, que defendeu a autonomia na governança do Banco Central.
Além das questões sobre o Banco Master, a audiência abordou a atual política monetária rigorosa mantida pelo BC, que tem enfrentado críticas em decorrência dos elevados níveis da taxa Selic. Galípolo argumentou que a persistente inflação e o aquecimento econômico justificam essa postura. Ele admitiu que, embora não se possa ignorar os altos juros, o cenário econômico atual exige vigilância contínua e uma resposta apropriada para estabilizar a inflação.
Por fim, Galípolo reiterou que o Banco Central está comprometido em enfrentar os desafios que impactam a confiança no sistema financeiro e a necessidade de uma supervisão robusta. O debate continua a suscitar questionamentos sobre a adequação das estruturas normativas vigentes e a eficácia das medidas de controle adotadas.
