O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, foi responsável pela convocação de Campos Neto, que exerceu a presidência do Banco Central entre 2019 e 2025. Vieira considera Campos Neto uma “testemunha qualificada” devido à sua experiência no setor e à sua capacidade de elucidar os padrões de idoneidade exigidos para novos controladores de instituições bancárias. A convocação se tornou ainda mais relevante à luz da autorização dada pelo Banco Central a Vorcaro para assumir o controle do antigo Banco Máxima, que passou a se chamar Banco Master, em 2019. Este contexto é complicado pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades de servidores do Banco Central que poderiam ter favorecido o Banco Master.
A intenção da CPI é que Campos Neto também contribua com análises sobre as fraquezas regulatórias existentes, sugerindo melhorias institucionais que possam reforçar a resiliência do sistema financeiro nacional contra a infiltração de organizações criminosas. Esse aprimoramento é visto como fundamental para assegurar a integridade do setor financeiro.
Adicionalmente, Gabriel Galípolo foi convocado em um requerimento do senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará. Girão levantou dúvidas sobre a natureza de uma reunião realizada em novembro de 2024, onde Galípolo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros altos funcionários se encontraram com Daniel Vorcaro. O senador enfatizou que o objetivo da oitiva não é discutir a atividade técnica do Banco Central, mas garantir a transparência e afastar quaisquer desconfianças sobre uma possível interferência política nas funções de fiscalização e controle do sistema financeiro.
A audiência será interativa, permitindo que cidadãos enviem perguntas e comentários através do telefone da Ouvidoria do Senado ou via Portal e-Cidadania. As contribuições do público poderão ser respondidas ao vivo pelos senadores, promovendo assim um espaço democrático de participação e fiscalização. Além disso, a iniciativa oferece uma declaração de participação, que pode ser utilizada como atividade complementar em cursos universitários. Ao final, o objetivo maior é reforçar a responsabilização e transparência sobre as atividades do Banco Central e seu papel no sistema financeiro nacional.
