O especialista ressaltou que a digitalização e as inovações financeiras, como as criptomoedas, tornaram-se ferramentas fundamentais para as facções. Esses recursos não apenas facilitam a lavagem de dinheiro, mas também permitem que os grupos se movimentem de forma discreta e eficiente em diferentes países. Além disso, a emergência de plataformas de apostas — que têm prosperado na era digital — proporciona novas oportunidades para o ocultamento de rendas ilícitas, complicando ainda mais a tarefa das autoridades que buscam reprimir essas atividades.
Outro ponto abordado foi a utilização de tecnologia de comunicação via satélite, que permite que facções mantenham contato e coordenem operações mesmo em áreas remotas, onde o acesso à internet convencional é limitado. Esta capacidade de se comunicar instantaneamente, independentemente da localização, representa um desafio significativo para as forças de segurança, que frequentemente se veem um passo atrás em relação a essas organizações adaptáveis.
Diante desse panorama, Manso enfatizou a urgência de uma articulação nacional mais robusta para combater o crime organizado. Ele defendeu a criação de estratégias integradas que envolvam não apenas a polícia e as forças armadas, mas também a participação de diferentes esferas do governo e da sociedade civil. O colaborador da USP argumentou que, para enfrentar as organizações criminosas, é crucial que o Brasil se una em uma frente comum, levando em conta que a atuação de tais grupos transcende as fronteiras estaduais, revelando uma rede complexa que liga o cenário nacional ao internacional.
Portanto, a reflexão proposta por Bruno Paes Manso abre caminho para uma urgência na reformulação das políticas de segurança pública, enfatizando que o enfrentamento do crime organizado requer não apenas medidas de repressão, mas também uma compreensão profunda do novo ambiente em que essas organizações operam.









