A vice-presidente do CCS, Angela Cignachi, que propôs o evento, destacou que as eleições de 2026 apresentam desafios inéditos para a comunicação social e o direito eleitoral. Cignachi argumentou que a desinformação, especialmente nas redes sociais, tem minado a confiança pública no sistema eleitoral e nas urnas eletrônicas, fundamentais para a democracia. Para ela, pilares como a dignidade da pessoa humana e a igualdade de oportunidades entre candidatos não podem ser alcançados sem uma comunicação social devidamente regulada.
O advogado Diogo Rais, especialista em direito digital, acrescentou que a legislação brasileira precisa urgentemente de uma atualização. Ele observou que, embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha avançado ao modernizar diversas resoluções, o arcabouço legal ainda está defasado, sendo essencial a elaboração de novas normas que se adequem à era digital. “É hora de o Congresso estabelecer diretrizes claras para a realização de eleições na internet, dado o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas.”
Maria Paula Almada, do Aláfia Lab, chamou a atenção para o impacto da IA nas fontes de informação da população brasileira. Com aproximadamente 10% da população utilizando essas ferramentas como principal fonte de notícias, ela enfatizou a importância de fortalecer a educação midiática e o jornalismo profissional para garantir a veracidade das informações divulgadas. Almada também levantou preocupações sobre o uso de avatares artificiais que podem exacerbar a desinformação, apontando a necessidade de um aprofundamento nas discussões para enfrentar tais desafios.
A pesquisadora Débora Salles destacou as limitações na fiscalização da publicidade online, alertando para a falta de transparência e a propagação de conteúdos fraudulentos durante o período eleitoral. Para Salles, a complexidade desse cenário só deve aumentar, demandando um compromisso sério das plataformas para garantir a integridade do processo.
Por fim, a presidenta do CCS, Patrícia Blanco, reiterou a importância do debate para lidar com os desafios impostos pelo uso indiscriminado da inteligência artificial. Ela anunciou uma nova audiência pública prevista para julho, estabelecendo um compromisso contínuo para endereçar essas questões que afetam diretamente a qualidade da democracia no Brasil. As discussões acaloradas e a necessidade de regulamentação são urgenсias claras, refletindo uma preocupação coletiva sobre o futuro das eleições e da comunicação no país.





