O governo está decidido a utilizar as próximas etapas de tramitação para tentar alterar o texto, considerando inclusive a possibilidade de editar uma medida provisória. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está em diálogo com o senador Renan Calheiros, relator do projeto, com o intuito de ajustar a proposta a fim de garantir que a renegociação seja viável. Após uma reunião com senadores, o prazo de refinanciamento foi ampliado de seis para dez anos, além de um período de carência de dois anos, o que reflete a urgência em publicar a proposta.
Entretanto, a equipe econômica busca restringir o acesso aos programas de renegociação a produtores realmente impactados por perdas climáticas ou crises econômicas, com o objetivo de prevenir o uso indiscriminado dos benefícios. Essa restrição, no entanto, encontrou resistência considerável no setor do agronegócio e não foi incluída no relatório que recebeu aprovação na CAE.
A votação, que originalmente estava agendada para terça-feira, foi adiada devido a solicitações do governo. Em uma reunião prévia no Ministério da Fazenda, tentou-se chegar a um consenso, mas as partes não conseguiram se entender. Renan Calheiros expressou sua frustração, afirmando que o acordo estava próximo, mas divergências no texto apresentadas pelo Ministério lidaram com o impasse.
O projeto contempla a utilização do Fundo Social do Pré-Sal para financiar produtores rurais, permitindo a criação de uma linha especial de crédito direcionada a aqueles afetados por desastres naturais. Idealizada pelo deputado Domingos Neto, a proposta foi ampliada por Renan Calheiros para incluir todos os produtores rurais, com recursos oriundos da exploração de petróleo, já que o Fundo Social também destina verba para áreas cruciais como educação e saúde pública.
O Ministério da Fazenda estima que a renegociação das dívidas rurais pode gerar um custo de R$ 817 bilhões à União ao longo de 13 anos, com um impacto orçamentário projetado de R$ 150 bilhões até 2027. Apesar de muitas sugestões do governo terem sido rejeitadas, o relator acatou algumas contribuições importantes.
Em um momento de incerteza, Jaques Wagner solicitou vistas para uma análise mais aprofundada do texto, mas Renan, enfatizando a urgência da situação, decidiu que o relatório em questão não era novo o suficiente para justificar tal adiamento. O líder do governo concluiu dizendo que sua intenção é retomar as negociações, reconhecendo que o processo é complexo e requer tempo, mas acredita que avançará.
