Leonídio Brito, filho do ex-jogador, compartilhou detalhes sobre a trajetória notável de seu pai e o período difícil de internação que ele enfrentou a partir de maio deste ano. Em um depoimento tocante, Leonídio enfatizou a visão simples e esclarecedora de seu pai sobre a vida: “Acredito que a gente tem uma missão nessa vida, e quando chega a hora, é porque realmente chegou ao fim essa missão. Ele falava que não queria sofrer, e se fosse melhor partir, ele preferiria”, refletiu.
Brito era um ícone não apenas por suas habilidades em campo, mas também por sua humildade e conexão com suas raízes. Residente da Ilha do Governador por mais de quatro década, mantinha uma rotina comum, distantes dos holofotes do mundo do futebol. Leonídio recordou que muitas vezes seu pai orientava outros atletas sobre como lidar com a fama: “Faz como eu faço. Eu vou normalmente ao banco, à feira. Me tornei uma pessoa comum”. Essa simplicidade e autenticidade o tornaram uma figura querida e acessível, tanto na comunidade quanto entre os admiradores do esporte.
Com orgulho de suas origens, Brito sempre deixou claro sua intenção de permanecer na ilha mesmo após seu falecimento. Seu desejo de serem realizados os atos fúnebres em sua comunidade será respeitado, com o velório programado para ocorrer no bairro. Leonídio afirmou que, apesar de propostas de velar o corpo em instituições renomadas do futebol, ele optou por cumprir o desejo do pai: “Ele sempre foi muito brincalhão”, disse.
A trajetória de Brito é uma verdadeira celebração. Ele superou desafios e conquistou um lugar de destaque na história do futebol brasileiro. Nascido na Ilha do Governador como Hércules Brito Ruas, ele formou a icônica dupla defensiva da seleção campeã de 1970, ao lado de Piazza. Juntos, foram essenciais para a vitória memorável de 4 a 1 sobre a Itália, no Estádio Azteca, e contribuíram para um Brasil que, sob a orientação de Zagallo, apresentou um futebol ofensivo, terminando o torneio com apenas sete gols sofridos em seis partidas.
Com uma carreira repleta de passagens por clubes de prestígio como Vasco, Flamengo, e Botafogo, Brito deixa um legado que transcende os gramados. Ao longo de suas oito anos defendendo a camisa verde e amarela, ele disputou 60 jogos, incluindo a Copa do Mundo de 1966, e conquistou a Copa Roca em 1971. Sua história é um lembrete do poder transformador do esporte e da importância das raízes, fazendo de Brito não apenas um campeão, mas um eterno ídolo do povo brasileiro.
