Sejam bem-vindas, medalhas! Felipe Wu é prata no tiro esportivo!

Brasileiro conquista primeira medalha do país nos Jogos do Rio justamente no esporte que deu ao país as primeiras medalhas de sua história, há 96 anos

Os olhos denunciam: ele não tem cara de brasileiro. Não é Silva – é Wu. Não calça chuteiras – porta pistolas. E está na história como o responsável por conquistar a primeira medalha do Brasil em uma Olimpíada em casa. Felipe Wu, paulista de 24 anos, explodiu justamente no ano olímpico para conquistar a prata na pistola de ar 10m e ser o primeiro brasileiro a ir ao pódio nos Jogos do Rio. O ouro ficou com Xuan Vinh Hoang, do Vietnã, no último tiro. O bronze foi para Pei Wong, da China.

Será uma tentação dizer que Felipe Wu saiu do nada para alcançar a façanha olímpica – de fato, era um desconhecido até este ano. Mas ele não saiu do nada: saiu da garagem de casa. Treinava onde ficava a churrasqueira – porque preferia tiro a churrasco. Posicionava-se onde deveria haver um carro – porque preferia tiro a automóvel. Foi moldado na obstinação. Foi esculpido na insistência: sem patrocinador, sem mídia, sem assédio. Atirava porque atirar lhe fazia bem. Atirava porque algo lhe dizia para atirar – porque vai que um dia, de repente, vá saber, você seja medalhista olímpico.

E sequer atirava na distância certa. Eram só oito metros até a parede – ele tentava adaptar-se, imaginar que ali tinham dois metros a mais. E assim foi tocando: cada vez mais treinos, uma Olimpíada chegando, a faculdade de engenharia espacial trancada para poder treinar mais e mais e mais, a presença frequente em Mundiais, os títulos de duas etapas, a liderança do ranking mundial.

Wu virou notícia: o atirador com cara de chinês, jeito de chinês, sangue de chinês… na terra do futebol. Seria dele a primeira medalha olímpica do Brasil nos Jogos do Rio? Do cara que só tem uma arma para treinar? Já no primeiro dia da Olimpíada? Seria possível?

Seria. Com o apoio de algumas dezenas de pessoas presentes no estande de Deodoro, vestindo sua jaqueta verde que é bem mais brasileira que chinesa (e que combina um bocado com prata!), diante dos olhos da namorada, a também atiradora Rosane Budag, ele deu ao Brasil a primeira medalha do país na Olimpíada do Rio. Fez o que precursores fizeram tanto tempo atrás, lá em 1920, quando o Brasil ganhou com o tiro esportivo suas primeiras medalhas na história da Olimpíada.

Globo esporte

06/08/16

 

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