Segurança Pública: O Descompasso de Flávio Bolsonaro na Liderança do Senado
A segurança pública, escolhida como uma das principais bandeiras na pré-campanha à presidência de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ, parece ter encontrado um bloqueio em sua atuação legislativa. Desde o início de 2025, quando assumiu a Comissão de Segurança Pública do Senado, Flávio teve uma participação aquém do esperado. Ao longo deste ano, a comissão se reuniu apenas sete vezes, sem que nenhuma proposta relevante fosse aprovada. No início de 2026, sua presença foi registrada em apenas uma reunião, sinalizando um desinteresse ou descompasso em relação à urgência que a questão da segurança pública exige.
Para fins de comparação, a Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados teve um desempenho consideravelmente mais ativo, com 23 reuniões realizadas neste mesmo período. Outras comissões no Senado também mostraram maior dinamismo: a Comissão de Direitos Humanos, dirigida pela senadora Damares Alves, contou com 22 encontros, enquanto a de Assuntos Econômicos teve 16 sessões.
Mesmo no ano anterior, sob a direção de Flávio, a Comissão de Segurança se destacou mais por audiências focadas em críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, do que por ações efetivas voltadas ao combate ao crime. Propostas significativas relacionadas à segurança, como a lei antifacção, dependem de forte protagonismo de outros parlamentares, como o deputado Guilherme Derrite, enquanto no Senado, as questões enfrentam dificuldade de tramitação e apoio.
Embora Flávio tenha celebrado a classificação de facções como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos — um feito que ele compara ao que nunca foi realizado por outros governos —, sua articulação em favor dessa medida no Congresso foi praticamente inexistente. No dia em que essa classificação foi discutida, o senador sequer fez uso da palavra em defesa da proposta, que é uma reivindicação importante de seu grupo político.
Além disso, a questão da redução da maioridade penal, que também está em pauta no Congresso, tem ganhado força, mas as discussões têm se concentrado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com parlamentares inexperientes liderando a iniciativa. Embora Flávio tenha manifestado apoio à redução, ele não demonstrou engajamento ativo na abordagem do tema.
O deputado Alberto Fraga, coordenador da bancada da segurança, critica a falta de ação de Flávio na Comissão de Segurança do Senado, classificando o espaço como um “cemitério de projetos”. Com a ausência do senador, várias propostas aguardam votação, sublinhando um descompasso preocupante em um tema que deveria ser prioritário.
Até o momento, nenhuma de suas próprias propostas sobre segurança pública foi aprovada no Congresso. Dentre elas estão iniciativas que visam aumentar as penas de crimes como furto e roubo de celulares, as quais permanecem paradas.
Apesar do baixo índice de realizações concretas, um levantamento indica que a segurança é um tema recorrente nas falas de Flávio, especialmente desde o anúncio dos Estados Unidos. Seus assessores trabalham para centralizar a comunicação em questões de segurança, tentando equilibrar as críticas à falta de ação legislativa com o discurso de soberania do cidadão frente ao crime.
Em resposta, a campanha do presidente Lula busca explorar a inatividade de Flávio na área, propondo um enfrentamento das críticas à sua falta de atuação legislativa em segurança. Assim, a disputa se intensifica, evidenciando um cenário onde ambos os lados tentam ganhar terreno em um tema que continua sendo um dos mais relevantes e controversos no Brasil contemporâneo.
