
O Transtorno do Espectro Autista é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que existam no Brasil cerca de dois milhões de autistas. E para tirar a síndrome da obscuridade, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu, nesta quarta-feira (23), no Maceió Mar Hotel, na capital alagoana, um simpósio que abordou a perspectiva da integralidade do cuidar.
O evento teve como propósito discutir os aspectos gerais dos métodos que existem atualmente para tratar os autistas e quais são os mais efetivos para possibilitar uma reabilitação integral e uma inclusão na sociedade. Profissionais renomados de diversas áreas foram convidados a apresentarem seus trabalhos e atividades profissionais, que muito contribuíram com o conhecimento do público presente.
Durante sua palestra, Renata Bulhões, supervisora do Cuidado à Pessoa com Deficiência da Sesau, abordou aspectos importantes ligados ao autismo, como avaliação diagnóstica, intervenções terapêuticas e multidisciplinares. Também foram apresentados os serviços que existem em Alagoas para tratar os usuários acometidos pela deficiência neurológica, a exemplo das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros Especializados em Reabilitação (CER’s), Serviço Estadual de Equoterapia e os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPs).
“A nossa proposta é que o evento não fique só no âmbito da Sesau, mas que possamos realizar discussões com as Secretarias de Estado da Educação, da Assistência e Desenvolvimento Social, do Trabalho e Emprego, da Cultura e do Esporte, Lazer e Juventude”, salientou a supervisora do Cuidado à Pessoa com Deficiência da Sesau.
Renata Bulhões ressaltou, ainda, que o autismo é uma condição onde o diagnóstico é puramente clínico e observacional e, neste processo, é importante ter o apoio enfático das escolas e creches. Para isso, segundo a supervisora do Cuidado à Pessoa com Deficiência da Sesau, é necessário realizar relatórios, descrevendo como a criança interage e responde aos estímulos do ambiente, além de solicitar aos pais, as fotos, imagens, vídeos e depoimentos que ajudem a conhecer mais profundamente o comportamento da criança.
“O desempenho desses profissionais é o carro-chefe desse transtorno, pois ajuda a identificar os sinais mais precoces, como atraso da fala, privação de interação social, entre outras falhas cognitivas que são importantes para a condução do tratamento do autismo”, salientou Renata Bulhões.
Representando o secretário de Estado da Saúde, Christian Teixeira, a assessora técnica da Sesau, Júlia Levino, destacou a importância da conscientização sobre os direitos dos autistas. “Eles são cidadãos e precisam estar inseridos na sociedade para participar do processo de aprendizagem, não apenas para interação social. Se abraçarmos a causa, conseguiremos os avanços necessários. Devemos ter esse olhar humanizado para este público, em especial aos usuários do SUS [Sistema Único de Saúde]”, enfatizou.
Motivação – Para Fernanda Leite, terapeuta ocupacional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Arapiraca, o encontro serviu para motivar as pessoas a buscar um maior aperfeiçoamento e, por consequência, se desenvolverem profissionalmente. “É uma oportunidade que a Sesau está permitindo para que possamos expandir horizontes, ver além, e conseguir retornar ao nosso ambiente de trabalho com ideias e novidades, conhecendo quem são as pessoas que têm autismo e quais suas necessidades, visando ampliar o cuidado humanizado”, contou.
Com o tema “Panorama de Inclusão da Pessoa com Deficiência, com Foco no Transtorno do Espectro do Autismo no Mercado de Trabalho”, o palestrante Adalberto Henrique Melo, da Secretaria de Estado do Trabalho e Emprego (Sete), acredita que as palestras com especialistas da área vão permitir o acesso às tendências, métodos e ferramentas para realizar um trabalho mais voltado e centralizado às pessoas com autismo.
“Dessa forma, podemos nos atualizar e renovar nossos conceitos e ideias. Outra grande vantagem do evento são as pessoas, por meio da troca de experiências e contatos. Este contato permite entender como outras instituições atuam sobre as mesmas questões e, dessa forma, é possível vislumbrar várias possibilidades e alternativas antes sequer cogitadas pela nossa secretaria”, contou.
Ao encerrar o simpósio, os profissionais entraram em acordo para elaboração de uma Carta Compromisso. Ela tem a finalidade de formar um fórum permanente para a discussão e encaminhamento da atenção no cuidar integral às pessoas com transtorno do autismo e de seus familiares.






