SAÚDE – Vacinação-piloto contra dengue começa em Maranguape e Nova Lima com 204 mil doses do imunizante inédito do Instituto Butantan; eficácia chega a 74%.

As cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, deram início a um projeto inovador de vacinação com um imunizante de dose única contra a dengue, desenvolvido pelo Instituto Butantan. Neste primeiro passo da campanha, um total de 204,1 mil doses será distribuído entre essas cidades e Botucatu, em São Paulo, onde 80 mil vão beneficiar a população local. A vacinação acontecerá em massa para indivíduos com idades entre 15 e 59 anos, visando atingir a população-alvo nesses municípios. Em Botucatu, as aplicações têm início no próximo domingo, dia 18.

Durante um período de um ano, os resultados obtidos com essa vacinação serão minuciosamente monitorados. Especialistas irão analisar a incidência de dengue nas áreas selecionadas, além de observar possíveis efeitos adversos raros decorrentes da imunização. Métodos semelhantes já foram utilizados em Botucatu para avaliar a eficácia da vacina contra a COVID-19, conferindo maior confiabilidade aos novos dados que serão coletados.

Caso os resultados da vacinação-piloto sejam positivos, o Instituto Butantan planeja iniciar a produção em larga escala, visando atender à demanda nacional. Até agora, foram produzidas 1,3 milhão de doses, mas antes da ampla disponibilização, os profissionais da saúde, incluindo médicos e enfermeiros, deverão ser vacinados como parte de uma prioridade definida. Para isso, cerca de 1,1 milhão de doses estão reservadas para essa função, com vacinação prevista para começar em fevereiro.

O Ministério da Saúde, em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, está trabalhando na transferência de tecnologia que permitirá a expansão gradual da vacinação por todo o Brasil, começando pela faixa etária de 59 anos e avançando até alcançar o público de 15 anos. A expectativa é que a produção do imunizante possa ser ampliada em até 30 vezes.

Durante o lançamento da vacina em Maranguape, o Ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou a rigorosa seleção dos municípios participantes do estudo. As cidades foram escolhidas por apresentarem entre 100 mil e 200 mil habitantes e terem uma infraestrutura de saúde robusta, capaz de viabilizar a campanha de vacinação e avaliar o impacto sobre a circulação do vírus no meio comunitário. A vacina em questão é a primeira a ser oferecida em dose única contra a dengue, um avanço significativo que promete uma imunização mais ágil e eficaz.

Os estudos clínicos realizados já demonstraram uma eficácia global de 74% e uma redução de 91% nos casos graves da doença. Importante mencionar que entre os vacinados, não houve registros de hospitalizações devido a dengue. O desenvolvimento deste imunizante é resultado de um esforço contínuo de 20 anos, envolvendo colaborações entre diferentes centros de pesquisa do Brasil e apoio internacional.

Os moradores nas localidades que participam desta fase da vacinação devem apresentar um documento oficial de identidade e, preferencialmente, o Cartão SUS. É fundamental ressaltar que, mesmo com a vacinação, as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti não devem ser negligenciadas. As autoridades de saúde locais enfatizam a importância de continuar o combate à dengue, com ações que incluem a eliminação de criadouros do mosquito.

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