Durante um período de um ano, os resultados obtidos com essa vacinação serão minuciosamente monitorados. Especialistas irão analisar a incidência de dengue nas áreas selecionadas, além de observar possíveis efeitos adversos raros decorrentes da imunização. Métodos semelhantes já foram utilizados em Botucatu para avaliar a eficácia da vacina contra a COVID-19, conferindo maior confiabilidade aos novos dados que serão coletados.
Caso os resultados da vacinação-piloto sejam positivos, o Instituto Butantan planeja iniciar a produção em larga escala, visando atender à demanda nacional. Até agora, foram produzidas 1,3 milhão de doses, mas antes da ampla disponibilização, os profissionais da saúde, incluindo médicos e enfermeiros, deverão ser vacinados como parte de uma prioridade definida. Para isso, cerca de 1,1 milhão de doses estão reservadas para essa função, com vacinação prevista para começar em fevereiro.
O Ministério da Saúde, em parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, está trabalhando na transferência de tecnologia que permitirá a expansão gradual da vacinação por todo o Brasil, começando pela faixa etária de 59 anos e avançando até alcançar o público de 15 anos. A expectativa é que a produção do imunizante possa ser ampliada em até 30 vezes.
Durante o lançamento da vacina em Maranguape, o Ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou a rigorosa seleção dos municípios participantes do estudo. As cidades foram escolhidas por apresentarem entre 100 mil e 200 mil habitantes e terem uma infraestrutura de saúde robusta, capaz de viabilizar a campanha de vacinação e avaliar o impacto sobre a circulação do vírus no meio comunitário. A vacina em questão é a primeira a ser oferecida em dose única contra a dengue, um avanço significativo que promete uma imunização mais ágil e eficaz.
Os estudos clínicos realizados já demonstraram uma eficácia global de 74% e uma redução de 91% nos casos graves da doença. Importante mencionar que entre os vacinados, não houve registros de hospitalizações devido a dengue. O desenvolvimento deste imunizante é resultado de um esforço contínuo de 20 anos, envolvendo colaborações entre diferentes centros de pesquisa do Brasil e apoio internacional.
Os moradores nas localidades que participam desta fase da vacinação devem apresentar um documento oficial de identidade e, preferencialmente, o Cartão SUS. É fundamental ressaltar que, mesmo com a vacinação, as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti não devem ser negligenciadas. As autoridades de saúde locais enfatizam a importância de continuar o combate à dengue, com ações que incluem a eliminação de criadouros do mosquito.
