SAÚDE – Transplante com órgãos infectados por HIV: mulher de 64 anos é a primeira vítima fatal em investigação no Rio de Janeiro.

Um caso alarmante envolvendo transplantes de órgãos contaminados pelo vírus HIV no estado do Rio de Janeiro trouxe à tona graves questões sobre a segurança e a supervisão dos procedimentos médicos. Em um trágico desdobramento, uma mulher de 64 anos, uma das seis pacientes afetadas, faleceu em 18 de setembro. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), que lamentou profundamente a perda e ressaltou que a paciente estava sob acompanhamento médico desde a confirmação da infecção.

A paciente, que estava internada em uma unidade especializada, recebeu assistência contínua nos últimos 17 meses, com monitoramento diário por uma equipe multidisciplinar. Além disso, a SES-RJ informou que a mulher foi indenizada pelo governo do estado em julho do ano passado. O órgão também reiterou seu compromisso em fornecer suporte psicológico para os familiares da vítima nesse momento difícil.

A infecção por HIV nos receptores de órgãos ocorreu após transplantes realizados em outubro de 2024, quando foram identificados dois doadores que testaram positivo para o vírus. A situação foi classificada por autoridades de saúde como “sem precedentes e inadmissível”, levantando sérias questões sobre os processos de triagem de órgãos e a responsabilidade das equipes médicas.

As investigações sobre o caso envolvem múltiplas entidades, incluindo o Ministério Público, a Polícia Civil e o Conselho Regional de Medicina do estado. De acordo com informações preliminares, o laboratório PCS Saleme, encarregado de realizar exames de sorologia para detecção do HIV, emitiu laudos fraudulentos que falharam em identificar a presença do vírus nos órgãos de dois doadores. Este laboratório foi interditado pela Vigilância Sanitária, e seu contrato com o governo estadual foi rescindido, levando à renúncia da direção da Fundação Saúde, que gerenciava a operação.

O caso levanta questionamentos críticos sobre a integridade dos processos médicos e a proteção dos pacientes, enfatizando a importância de uma revisão minuciosa dos protocolos de segurança na doação e transplante de órgãos. A sociedade aguarda respostas e medidas efetivas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer no futuro.

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