SAÚDE – Tabagismo entre LGBTI+ é 76% mais prevalente em relação a heterossexuais, revela estudo do Inca durante evento no Rio de Janeiro.

A incidência de tabagismo é significativamente maior entre a população homossexual e bissexual do Brasil, com uma taxa 76% superior à encontrada entre heterossexuais, de acordo com um estudo recente apresentado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) em um evento no Rio de Janeiro. Os dados foram extraídos da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, que serve como a principal referência sobre a saúde dos brasileiros.

O levantamento revelou que 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais usam produtos de tabaco, em comparação a apenas 12,7% dos heterossexuais. Em relação aos dispositivos eletrônicos, como os vapes, a diferença é ainda mais acentuada, com a prevalência entre os grupos LGBTI+ quase seis vezes superior. Essa disparidade chama a atenção para a necessidade de políticas de saúde que atendam especificamente às necessidades dessa comunidade.

Aline Mesquita, pesquisadora do Inca, deixou claro que, embora o Brasil tenha avançado em políticas de controle do tabaco, é crucial incorporar estratégias voltadas para a promoção da saúde da população LGBTI+. Ela destacou que o tabagismo é um fator de risco significativo para diversas doenças crônicas, aumentando os impactos na saúde desse público.

Denise Taynah, Secretária-Executiva do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBTI+ do Rio, enfatizou que é fundamental que os serviços de saúde que atendem essa população, como as unidades de transsexualização, sejam incluídos nas iniciativas de combate ao tabagismo. Taynah defendeu a implementação de protocolos de saúde que ajudem a melhorar a saúde física e mental dessa população, buscando um suporte que promova uma vida mais longa e saudável.

Outro ponto importante levantado por Mesquita é que a indústria do tabaco também se mostra atenta a essa realidade, utilizando táticas de marketing que podem estimular o consumo entre as pessoas LGBTI+. A prática de patrocinar eventos, por exemplo, é uma estratégia voltada a criar uma imagem positiva e atrativa em relação aos produtos tabagistas. Além disso, o lançamento de produtos com aditivos que prometem experiências menos danosas é visto como uma “isca” particularmente atrativa para os jovens.

Fatores como preconceito e violência também são citados como influentes nessa maior incidência de tabagismo, levando muitos jovens a recorrer ao uso de substâncias como forma de lidar com a ansiedade e depressão exacerbadas por situações de discriminação. A realidade do tabagismo entre a população transexual também reflete essa vulnerabilidade, com relatos de início no uso de tabaco atrelados a momentos de maior violência e estresse.

O Ministério da Saúde reconhece a importância de capturar dados mais precisos sobre a população LGBTI+. Portanto, em 2024, será obrigatório o registro da orientação sexual e identidade de gênero em cadastros realizados pelo Sistema Único de Saúde. Estas medidas visam entender e atender melhor as necessidades específicas dessa comunidade, buscando desenvolver intervenções mais eficazes no combate ao tabagismo e na promoção da saúde.

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