SAÚDE – Surto de Ebola na República Democrática do Congo e Uganda: OMS declara emergência de saúde pública após casos confirmados de virus Bundibugyo.

No início de outubro, as autoridades de saúde da República Democrática do Congo (RDC) emitiram um alerta sobre um surto alarmante de uma doença de alta mortalidade em Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário se tornava ainda mais preocupante com a confirmação de mortes entre profissionais de saúde atuando na linha de frente da emergência.

A situação começou a tomar contornos mais claros cerca de dez dias após o alerta inicial. O Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, situado em Kinshasa, analisou uma coleta de 13 amostras de sangue do distrito de Rwampara, revelando que, de fato, o vírus Bundibugyo, uma das variantes do vírus Ebola, estava presente em pelo menos oito dessas amostras. Em resposta a essa descoberta, o Ministério da Saúde Pública da RDC declarou oficialmente o 17º surto de Ebola no país.

Ao mesmo tempo, as autoridades de saúde de Uganda, nação vizinha, confirmaram um caso importado relacionado ao surto, envolvendo um congolês que faleceu na capital ugandense, Kampala. Diante desses acontecimentos, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, caracterizou a situação como uma emergência de saúde pública com relevância internacional, enfatizando que a mobilização comunitária é essencial para enfrentar surtos desse tipo.

As orientações da OMS ressaltam a importância da assistência clínica, vigilância rigorosa e rastreamento de contatos. O controle de infecções em unidades de saúde e o manejo seguro de sepultamentos também figuram entre as medidas principais a serem implementadas.

O Ebola, uma doença severa frequentemente letal, é transmitido aos humanos por meio do contato com animais silvestres hospedeiros e também de pessoa para pessoa através de fluidos corporais. A taxa média de letalidade gira em torno de 50%, embora em surtos anteriores essa cifra tenha alcançado até 90%.

O histórico da doença mostra que o surto que ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental foi o mais severo já registrado, cruzando fronteiras e resultando em milhares de casos e mortes. As manifestações da doença incluem febre, fadiga, dores musculares, dores de cabeça, seguidas por vômitos e diarreia. A infecção pode levar a hemorragias internas e externas em casos mais graves.

Atualmente, existem tratamentos emergenciais e vacinas aprovadas que são utilizados durante surtos. A OMS, além de disponibilizar diretrizes sobre prevenção e manejo, alertou que o tratamento em casa não é recomendado, sendo crucial procurar atendimento em centros especializados para aumentar as chances de recuperação.

O avanço das autoridades de saúde, em conjunto com a participação da comunidade, será determinante para o controle dessa nova onda de Ebola e para a salvaguarda da saúde pública na região.

Sair da versão mobile