Os dados foram coletados a partir de entrevistas com mais de 118 mil adolescentes, abrangendo 4.167 instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, em todo o Brasil. A amostra é suficientemente representativa para sinalizar uma crise de saúde mental nas escolas. Outros achados preocupantes incluem que 42,9% dos alunos sentem-se frequentemente irritados ou nervosos, e 18,5% frequentemente acreditam que a vida não vale a pena ser vivida.
Outra informação alarmante diz respeito ao suporte psicológico nas instituições de ensino: menos da metade dos adolescentes frequentava escolas que ofereciam algum tipo de apoio emocional. Quando se analisa a presença de profissionais de saúde mental, apenas 34,1% dos estudantes tinham acesso a esse tipo de suporte. Essa falta de assistência é preocupante, considerando o impacto que a saúde mental pode ter sobre a vida dos jovens.
Ademais, os adolescentes manifestaram sentimentos de desamparo em relação às suas famílias e comunidades. Um quarto dos estudantes afirmou sentir que “ninguém se preocupa” com eles, enquanto um terço acredita que seus problemas não são compreendidos por seus responsáveis. Mais gravemente, 20% relataram ter sido agredidos fisicamente por um pai ou responsável nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Os números revelam uma disparidade significativa entre os gêneros, com meninas apresentando índices mais altos de tristeza, irritabilidade e pensamentos autodestrutivos em comparação aos meninos. Entre as meninas, 41% se disseram tristes frequentemente, e 43,4% já tiveram vontade de se machucar, em contrapartida a 16,7% e 20,5% dos meninos, respectivamente.
Outro dado impactante é que cerca de 100 mil estudantes relatam ter causado lesões a si mesmos no último ano, evidenciando uma preocupação que merece atenção urgente. Além disso, a insatisfação com a imagem corporal é um problema crescente, com a porcentagem de estudantes satisfeitos caindo de 66,5% em 2019 para 58% na última edição da pesquisa.
Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas que priorizem a saúde mental nas escolas, proporcionando um ambiente de acolhimento e apoio para os jovens. A criação de programas que abordem essas questões, levando em conta as diferenças de gênero, é fundamental para garantir o bem-estar e a segurança emocional dos adolescentes no Brasil.
