SAÚDE – São Paulo registra 18 mortes por febre maculosa em 2023, com alerta sobre o diagnóstico precoce para evitar complicações severas e prevenir infecções

O estado de São Paulo enfrenta uma alarmante situação de saúde pública, com a confirmação de 18 mortes provocadas pela febre maculosa entre janeiro e julho deste ano. Nesse mesmo período, foram registrados 19 casos da doença. As vítimas vêm principalmente das regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo.

A febre maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida através da picada de carrapatos infectados. A doença é perigosa e pode afetar indivíduos de todas as idades, levando a óbitos em poucos dias se o tratamento não for iniciado de forma adequada e rápida. Os primeiros sinais da infecção são frequentemente vagos e podem ser confundidos com outras doenças, como dengue e viroses. Sintomas comuns incluem febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e um estado geral de mal-estar.

Na progressão da doença, entre o terceiro e o quinto dia, o paciente pode começar a notar manchas avermelhadas na pele, que podem evoluir para lesões arroxeadas, especialmente nas extremidades. Em estágios mais avançados, a doença pode acarretar complicações graves, como gangrena nos dedos e orelhas, e até paralisia ascendente.

O infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações sérias. Ele alerta que a taxa de mortalidade pode chegar a 80% se o tratamento antibiótico não for iniciado rapidamente. O médico ressalta que a infecção pode causar inflamação nos vasos sanguíneos, comprometendo órgãos vitais como rins, fígado e cérebro.

É essencial que qualquer pessoa que desenvolva febre após a exposição a áreas de mata, florestas ou trilhas ecológicas informe seu histórico ao médico. Além disso, é vital ter cuidado com os cães, que podem trazer carrapatos para dentro de casa, contaminando o ambiente familiar.

As recomendações de prevenção incluem evitar o contato com vegetação alta e gramados, usar roupas apropriadas como calças compridas e botas, e inspecionar o corpo e vestuário após atividades ao ar livre. Gorinchteyn enfatiza que a confirmação laboratorial da doença pode levar até duas semanas, portanto, um tratamento imediato é crucial ao suspeitar da infecção.

Caso um carrapato seja encontrado no corpo, é recomendado que ele seja removido cuidadosamente com uma pinça, evitando esmagá-lo, e que a área de mordida seja higienizada com álcool ou água e sabão. Além disso, as roupas utilizadas devem ser lavadas em água fervente. Essas medidas são fundamentais para reduzir o risco de transmissão da febre maculosa e garantir a segurança da população.

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