Conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, a primeira remessa do imunizante será direcionada a profissionais da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os contemplados estão médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de odontólogos e integrantes das equipes multiprofissionais, como nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Também serão vacinados os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias. A ampliação para outros grupos ocorrerá em etapas, conforme a disponibilidade de doses.
Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ, esclareceu que a nova vacina é aprovada para pessoas entre 12 e 59 anos. Enquanto a vacina de outro laboratório, Takeda, é recomendada para a faixa de 10 a 14 anos, a do Butantan é indicada para indivíduos de 15 a 59 anos. Essa estratégia será implementada gradualmente, dando prioridade aos profissionais da saúde, com a expectativa de vacinar todos os adolescentes que não receberam a vacina anterior.
No que diz respeito à vacinação, a distribuição estará condicionada à disponibilidade das doses e à situação epidemiológica de cada município. O imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue, sendo que atualmente os sorotipos 1 e 2 têm se tornado mais prevalentes no estado. A preocupação da SES-RJ se concentra na possibilidade de surgimento do sorotipo 3, que não é detectado no Rio desde 2007, embora circule em estados vizinhos.
Apesar dos números de dengue permanecerem baixos em 2023, a Secretaria reforça a importância de ações preventivas, especialmente após o período de Carnaval. As chuvas intensas e o calor do verão podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika, além da movimentação intensa de turistas que podem trazer a doença de regiões onde o vírus circula.
Até o dia 20 de outubro, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem notificações de óbitos até o momento. Em relação à chikungunya, foram identificados 41 casos prováveis, com cinco internações, mas sem casos confirmados de zika.
Para auxiliar a população na luta contra a dengue, a SES-RJ recomenda que cada pessoa dedique dez minutos por semana a medidas simples de prevenção, como revisar a vedação de caixas d’água, limpar calhas e eliminar água parada em recipientes. Assim, todos podem contribuir para reduzir a reprodução do mosquito Aedes aegypti, que prospera em condições climáticas quentes e úmidas típicas do verão.
Além dessas iniciativas, o Ministério da Saúde tem ampliado o uso da vacina Qdenga, com mais de 758 mil doses aplicadas em 2023, beneficiando crianças e adolescentes na faixa de 10 a 14 anos. O estado ainda investe em treinamento e capacitação da rede de saúde, por meio de videoaulas e ferramentas digitais que padronizam o manejo dos casos de dengue, destacando um compromisso contínuo com a saúde pública e a prevenção de arboviroses. O Laboratório Central Noel Nutels também recebeu melhorias, permitindo a realização de até 40 mil exames mensais para diagnóstico rápido de dengue e outras arboviroses.
