SAÚDE – Rastreamento do HPV no Brasil passa por transformação: teste de DNA substituirá exame tradicional de Papanicolau de forma escalonada.

O rastreamento do HPV no Brasil está prestes a passar por uma mudança significativa, com a substituição do tradicional exame citológico de rotina pelo teste de DNA. Essa incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi anunciada em março deste ano, após um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em Indaiatuba (SP) mostrar resultados promissores.

A primeira rodada de cinco anos do estudo revelou um aumento significativo na detecção de lesões pré-cancerosas, com até quatro vezes mais detecções do que o método tradicional. Além disso, 83% dos casos de câncer foram detectados em estágio inicial, o que mostra a eficácia do teste de DNA na detecção precoce da doença.

O estudo, realizado em parceria com a prefeitura de Indaiatuba e a farmacêutica Roche, rastreou 20.551 mulheres, com uma cobertura de 58,7% e uma conformidade de 99,4% com a faixa etária alvo do programa, de 24 a 65 anos. Os resultados mostraram que o teste de DNA foi negativo em 87,2% das amostras, com 6,2% encaminhadas para colposcopia e 84,8% das mulheres realizando o exame. Foram detectadas 258 lesões precursoras de alto grau e 29 casos de câncer cervical.

O estudo, publicado na revista científica Nature, demonstrou que o diagnóstico de câncer de colo de útero em mulheres rastreadas por DNA-HPV em Indaiatuba pôde ser antecipado em até dez anos em relação aos testes citológicos, como o papanicolau.

O diretor de oncologia do Hospital da Mulher da Unicamp, Júlio Cesar Teixeira, ressaltou a precisão e a custo-efetividade dessa tecnologia em uma entrevista à Agência Brasil. Ele destacou que a transição para o teste de DNA é fundamental para melhorar a detecção e a prevenção do câncer de colo de útero no país.

Com a aprovação da tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS e a definição de novas diretrizes pelo Instituto Nacional do Câncer, a expectativa é de que a transição para o teste de DNA seja feita de forma gradual e eficaz, seguindo o modelo implementado em Indaiatuba.

A vacinação contra o HPV também desempenha um papel fundamental nesse cenário, juntamente com o rastreamento por teste de DNA. Com altas coberturas vacinais e um programa de rastreamento eficiente, é possível vislumbrar um futuro sem câncer de colo de útero no Brasil. Essa combinação de vacinação precoce e rastreamento periódico pode ser a chave para a eliminação dessa doença no país, desde que haja um planejamento estratégico e uma gestão eficaz por parte das autoridades de saúde.

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