SAÚDE – Pesquisadores da UnB e Secretaria de Saúde do DF discutem planos para deter propagação do mosquito Aedes aegypti e reduzir casos de dengue.

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão em negociações com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (DF) para implementar pesquisas envolvendo tecnologias que têm como objetivo conter a propagação do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, zika e chikungunya.

De acordo com informações da Agência Brasil, o Distrito Federal enfrenta a maior incidência de dengue no país, com uma taxa de 2.405,6 casos a cada 100 mil habitantes. Em menos de dois meses deste ano, a região pode já ter ultrapassado a marca de 72,6 mil casos de pessoas infectadas, ultrapassando o recorde atingido durante todo o ano de 2022.

Uma das estratégias discutidas pelos pesquisadores envolve a utilização de estações disseminadoras de larvicidas, que consistem em potes pretos com água e pó de substâncias capazes de matar as larvas do Aedes aegypti e interromper a sua multiplicação. Segundo o biólogo e professor Rodrigo Gurgel Gonçalves, do Laboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores da Faculdade de Medicina da UnB, o mosquito contamindo atua como um “microdrone” que detecta os criadouros em qualquer lugar, levando o larvicida até mesmo aos locais onde não é encontrado pela população ou pelas autoridades sanitárias.

Além disso, os pesquisadores também estão explorando a técnica de “borrifação residual intradomiciliar”, na qual agentes de saúde aplicam inseticidas nas paredes das residências para eliminar o Aedes aegypti. A estratégia, ainda em fase de discussão, inclui a monitorização dos resultados das intervenções.

Gonçalves prevê que o pico de casos de dengue em Brasília ocorrerá nos meses de março e abril, atribuindo a alta incidência da doença a diversos fatores, incluindo a infraestrutura urbana precária. No ano passado, os pesquisadores da UnB acompanharam amostragens de mosquitos em regiões administrativas de Brasília com baixos indicadores sociais e desenvolvimento humano, constatando que áreas mais precárias apresentavam uma quantidade significativamente maior de mosquitos, o que está diretamente relacionado às condições de infraestrutura desses locais.

Diante desse cenário, os esforços dos pesquisadores e da Secretaria de Saúde do DF visam não apenas conter a propagação do mosquito Aedes aegypti, mas também compreender e enfrentar as causas estruturais que contribuem para a alta incidência de doenças transmitidas pelo vetor. A expectativa é de que a implementação das tecnologias propostas possa contribuir significativamente para a redução dos casos de dengue, zika e chikungunya na região.

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