Uma das estratégias discutidas pelos pesquisadores da UnB é o uso de estações disseminadoras de larvicidas. Trata-se de potes pretos com água, forrados com pano da mesma cor, contendo pó de uma substância que mata larvas do Aedes aegypti e interrompe sua multiplicação. O mosquito contaminado acaba por transportar o larvicida aos criadouros, inclusive àqueles que não são localizados pelos moradores dos imóveis e pela vigilância sanitária.
O biólogo e professor Rodrigo Gurgel Gonçalves, do Laboratório de Parasitologia Médica e Biologia de Vetores da Faculdade de Medicina da UnB, explica que o mosquito é como um “microdrone” que detecta os criadouros em qualquer local. Esta estratégia foi testada na região administrativa de São Sebastião, a 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes, com resultados significativos: houve uma diminuição de 66% da infestação do mosquito. A experiência dos pesquisadores foi publicada em uma revista científica internacional.
Outra estratégia em discussão é a de “borrifação residual intradomiciliar”, onde o agente de saúde aplica inseticida nas paredes, causando a morte do Aedes aegypti. Esta é considerada um recurso importante para reduzir a quantidade de mosquitos. O plano de ação prevê o monitoramento do resultado das intervenções.
Rodrigo Gurgel Gonçalves prevê que o pico de contaminação da dengue em Brasília ocorrerá nos meses de março e abril, atribuindo a alta incidência da doença a fatores como infraestrutura urbana precária. Em uma pesquisa realizada na região da Estrutural, os pesquisadores coletaram cinco vezes mais mosquitos em uma área precária, associando isto às condições de infraestrutura dos lugares.
Com essa parceria entre a UnB e a Secretaria de Saúde do DF, a expectativa é de que novas estratégias eficazes sejam implementadas para combater a transmissão das doenças causadas pelo Aedes aegypti, buscando reduzir a incidência e os impactos da dengue, zika e chikungunya na população do Distrito Federal.
