De acordo com as propostas delineadas, os critérios para a prescrição de medicamentos indicam que o Índice de Massa Corporal (IMC) deve ser maior ou igual a 30 kg/m². Para pessoas que já apresentam complicações atribuídas ao excesso de peso, um IMC a partir de 27 kg/m² pode justificar a intervenção medicamentosa. Interessantemente, a nova diretriz também sugere que, em certos casos, a consideração do tratamento pode avançar além dos números do IMC. Situações em que a circunferência da cintura ou a relação cintura-altura estejam elevadas também podem ser levadas em conta, especialmente se acompanhadas de complicações associadas.
A Abeso, por meio de seu presidente, Fábio Trujilho, enfatiza que a atualização reflete um cenário terapêutico mais dinâmico e individualizado, oferecendo aos médicos ferramentas práticas para aprimorar o cuidado de seus pacientes. O trabalho foi resultado de um esforço colaborativo de especialistas, incluindo endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, o que confere uma base sólida de evidências e recomendações organizadas conforme classes e níveis de evidência.
O documento também identifica cenários específicos que exigem atenção, como riscos cardiovasculares, pré-diabetes e doenças associadas ao excesso de peso, além de erros comuns no uso de medicamentos inadequados. A diretriz alerta sobre o uso de produtos sem comprovação científica robusta, como diuréticos e hormônios não testados em ensaios clínicos, que podem oferecer riscos significativos à saúde.
Esta atualização representa um avanço importante na prática clínica, ao buscar alinhar a evidência científica às condições e desafios do dia a dia no atendimento a pacientes com obesidade. Com isso, espera-se promover melhores resultados no tratamento e manejo dessa condição que afeta uma parcela significativa da população.
