Ganley, que contava com 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, frequentemente compartilhava sua rotina de treinos e admitiu o uso de hormônios anabolizantes para potencializar seu desempenho físico. A morte do influenciador não apenas impactou seus fãs, mas também levantou questões sobre os riscos associados ao uso indiscriminado dessas substâncias, frequentemente aplicadas sem supervisão médica.
A cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, o que dificulta o bombeamento de sangue e aumenta a rigidez do coração. Este quadro é considerado uma das principais causas de morte súbita entre jovens e atletas. Especialistas alertam que o uso de anabolizantes em altas doses pode levar a uma hipertrofia cardíaca, um fenômeno no qual o coração, em resposta aos esteroides, aumenta de tamanho, assim como outros músculos do corpo.
O cardiologista Herbert Lima Mendes, professor do Instituto de Educação Médica, destaca que muitos atletas acreditam que os riscos associados ao uso desses produtos não se aplicam a eles. Essa negação pode levar a um uso excessivo de substâncias, elevando o risco de complicações sérias. Além disso, muitos usuários não realizam avaliações cardiológicas, e quando identificam problemas, pode ser tarde demais.
A médica Marcely Bonatto, diretora da Sociedade Brasileira de Cardiologia, acrescenta que a cardiomiopatia pode ter uma predisposição genética, afetando cerca de um em cada 500 indivíduos. Muitas pessoas afetadas são assintomáticas e podem desconhecer a condição até que seja tarde demais. No caso de Ganley, é possível que ele já tivesse predisposições genéticas para a doença, cujo agravamento poderia ter sido intensificado pelo uso de anabolizantes.
Diante desse cenário, ambos os especialistas ressaltam a importância de exames cardíacos regulares, especialmente para atletas, que devem se submeter a avaliações como eletrocardiograma e ecocardiograma. Identificar precocemente qualquer condição cardíaca pode salvar vidas.
A utilização de anabolizantes é proibida no Brasil quando não há indicação médica. No entanto, a prática continua entre jovens, muitas vezes orientada por profissionais sem a devida formação, o que resulta em consequências graves para a saúde. Há um aumento significativo de pacientes com doenças cardíacas devido ao uso indiscriminado dessas substâncias, incluindo mulheres que recorrem a hormônios masculinos na forma de injeções ou implantes, conhecidos como “chips da beleza”, que podem desencadear uma série de problemas de saúde irreversíveis.
A partir da trágica morte de Gabriel Ganley, fica a mensagem clara: a saúde deve ser priorizada, e a busca por resultados imediatos não deve colocar em risco a vida.





