SAÚDE – Ministro anuncia R$ 53 milhões para sistema de abastecimento de água em reserva indígena de Dourados, que enfrenta grave crise hídrica e surtos de chikungunya.

Na última quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, trouxe à tona uma importante notícia para as comunidades indígenas de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Ele anunciou a liberação de R$ 53 milhões que serão destinados à construção de um sistema de abastecimento de água para a maior reserva indígena urbana do país, que abriga aproximadamente 20 mil membros dos povos Guarani Nhandeva, Guarani Kaiowá e Terena.

As aldeias Bororó e Jaguapiru, que formam essa reserva, têm enfrentado uma realidade alarmante, marcada pela escassez de água potável nos últimos cinco anos. Essa crise hídrica foi intensificada por um recente surto de chikungunya no município, que afetou severamente as comunidades indígenas. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, até o dia 4 de setembro, Dourados registrou 3.596 notificações da doença, com 1.314 casos confirmados, dos quais 914 estão entre os indígenas.

Em sua declaração, o ministro ressaltou que a situação crítica da reserva foi um dos principais motivadores na implementação dessas obras. “Nós já acompanhávamos essa situação crítica da reserva indígena de Dourados e como primeiro ato [ao assumir o ministério] assinamos essa ordem de serviço para que as obras comecem”, afirmou Eloy Terena. Ele também se comprometeu a criar um mecanismo de governança que permitirá às lideranças indígenas acompanhar semanalmente a execução dos recursos destinados às obras.

O processo já está em andamento. O último documento necessário para o início da construção de dois super poços foi assinado no dia 3 de setembro e os recursos já estão com o estado de Mato Grosso do Sul, que será responsável pela execução do projeto por meio da Sanesul, a empresa estadual de saneamento. Contudo, o projeto ainda aguarda aprovação da Caixa Econômica Federal, que é a responsável pelo repasse dos recursos.

A Sanesul informou que a fase de cadastramento para a perfuração dos poços já foi realizada e que espera iniciar as atividades ainda neste semestre. A previsão é que as obras sejam concluídas em um prazo de dois anos.

Atualmente, as comunidades indígenas estão sendo atendidas provisoriamente por pequenos poços emergenciais, fruto de uma parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que criou 15 poços equipados com infraestrutura básica. Entretanto, o projeto dos super poços promete resolver de forma duradoura a questão do abastecimento de água, uma necessidade urgente para essas comunidades historicamente vulneráveis.

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