O medo de quedas varia conforme a idade. Na faixa dos 60 aos 69 anos, 35,2% dos idosos se sentem inseguros, enquanto esse percentual aumenta para 47,1% entre aqueles com idade entre 70 e 79 anos, e atinge alarmantes 63,1% entre os que têm 80 anos ou mais. Os dados fazem parte da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz e pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Além das questões de mobilidade, o estudo destaca a gravidade da hipertensão arterial entre os idosos. Aproximadamente 34,4% da população nessa faixa etária apresenta níveis preocupantes de pressão arterial, o que representa cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de acompanhamento médico constante para prevenir complicações graves, como infartos e AVCs. A prevalência da hipertensão aumenta com a idade, atingindo 40,1% entre os indivíduos com 80 anos ou mais, sem distinção significativa entre os gêneros.
Outra questão crítica abordada na pesquisa é a perda da capacidade funcional. Quase 20,4% dos idosos enfrentam dificuldades em realizar atividades cotidianas, como se vestir ou tomar banho. Essa limitação é mais comum entre as mulheres, com 23,1% enfrentando problemas, em comparação a 17% dos homens, e a porcentagem de dificuldades aumenta dramaticamente com a idade, chegando a 44,2% entre os mais velhos.
Neste cenário, a rede de apoio para essas pessoas é alarmantemente fraca. Apenas 37,9% dos idosos que precisam de ajuda recebem suporte, e somente 5,8% dos cuidadores foram treinados para suas funções. Esse panorama evidencia a carência de políticas públicas que ofereçam um suporte estrutural adequado para os cuidadores familiares, além de indicar uma necessidade urgente de serviços de cuidado de longa duração e apoio domiciliar.
O Sistema Único de Saúde (SUS) se destaca como um pilar essencial para os cuidados de saúde aos idosos brasileiros. Cerca de dois terços dessa população dependem exclusivamente do SUS, sendo que a Estratégia Saúde da Família atende a 69,2% dos idosos, englobando cerca de 22,2 milhões de pessoas. As diretrizes do estudo ressaltam a importância do SUS e da ESF na promoção de um envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas.
Por fim, um novo painel de indicadores foi lançado, permitindo acesso público a informações detalhadas sobre o envelhecimento. Essa iniciativa, alinhada com a Década do Envelhecimento Saudável da ONU, busca apoiar gestores e profissionais da saúde na compreensão das múltiplas dimensões do envelhecimento, promovendo autonomia, segurança e bem-estar para a população idosa.





