SAÚDE – Lipedema: 1 em cada 10 mulheres no Brasil sofre com condição que causa dor e inchaço, alerta médica em campanha de conscientização neste domingo.

Uma em cada dez mulheres no Brasil enfrenta um problema de saúde que vai além da estética e se manifesta como um acúmulo excessivo de gordura nas extremidades do corpo, especialmente nos braços e nas pernas. Essa condição, que frequentemente é confundida com a celulite, é conhecida como lipedema. Além de causar desconforto visual, o lipedema traz consigo uma série de sintomas, como dor, inchaço, sensibilidade e limitações físicas que comprometem a qualidade de vida das afetadas.

Neste domingo, diversas cidades do Brasil e do exterior se uniram em caminhadas para conscientizar a população sobre o lipedema e a importância do diagnóstico precoce. A mobilização busca informar tanto pacientes quanto profissionais de saúde sobre a condição, que é muitas vezes negligenciada.

A cirurgiã vascular e angiologista Tatiana Losada explica que o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, que se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura em áreas específicas. Os sintomas incluem dor ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas, além do inchaço frequente. A médica observa que, enquanto a celulite é uma alteração estética da pele, o lipedema é uma condição médica que requer atenção e acompanhamento especializado.

Vale destacar que no lipedema, é comum a preservação dos pés e das mãos, o que forma uma espécie de garrote na região dos tornozelos ou punhos. Apesar de ser uma condição que pode ser tratada e controlada, a avaliação médica é crucial para o diagnóstico. A identificação do lipedema é essencialmente clínica e pode requerer uma avaliação cuidadosa, já que não existem exames laboratoriais específicos que confirmem a doença.

O tratamento para o lipedema é bastante individualizado e pode incluir uma combinação de alimentação equilibrada, exercícios físicos focados no fortalecimento muscular, fisioterapia e acompanhamento multiprofissional. Em alguns casos seleto, a cirurgia pode ser considerada, visando a redução da dor e do inchaço, assim como a melhoria da mobilidade e qualidade de vida.

Embora as causas exatas do lipedema ainda não sejam totalmente compreendidas, inclui-se na discussão fatores genéticos e hormonais. Muitas vezes, as mulheres que apresentam a condição compartilham características semelhantes, sendo comum que várias integrantes da mesma família enfrentem o mesmo desafio. Os sintomas costumam se intensificar em momentos de mudanças hormonais, como na adolescência, gravidez e menopausa.

Diante de indícios de lipedema, é fundamental que as mulheres busquem um médico experiente na avaliação da condição, evitando atribuir os sintomas apenas ao excesso de peso. A detecção precoce é crucial para o gerenciamento eficaz da doença, que pode livrar as pacientes da culpa associada ao seu quadro. Um diagnóstico adequado ajuda a preservar a mobilidade e a melhorar a qualidade de vida, permitindo que cada mulher obtenha o suporte necessário para lidar com os desafios que a doença impõe.

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