A hipertensão arterial segue como um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no Brasil, mantendo-se como uma condição silenciosa, comum e frequentemente negligenciada. Dados divulgados pela Organização Nacional de Acreditação, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade do DATASUS, revelam que, somente em 2025, o país registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 por Acidente Vascular Cerebral (AVC). Somadas às 64.133 mortes por insuficiência cardíaca, o total chega a 346.306 óbitos relacionados a eventos cardiovasculares.
Em Alagoas, o cenário também é considerado preocupante. Foram contabilizadas 3.114 mortes por infarto, 1.907 por AVC e 967 por insuficiência cardíaca, totalizando 5.988 óbitos no período. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a manutenção do quadro elevado de mortalidade.
A hipertensão é classificada como uma doença silenciosa por, na maioria dos casos, não apresentar sintomas evidentes. Ainda assim, pode provocar danos progressivos em órgãos vitais, como coração e cérebro, antes mesmo de qualquer manifestação clínica. Segundo especialistas, muitos pacientes só descobrem a condição após a ocorrência de eventos graves, como infarto ou AVC.
Apesar disso, trata-se de um fator de risco modificável. Quando identificada precocemente e acompanhada de forma adequada, a hipertensão pode ter seus impactos significativamente reduzidos. Diretrizes atualizadas em 2025 por sociedades médicas brasileiras indicam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já estão associados ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em pessoas consideradas saudáveis.
O AVC, diretamente ligado à hipertensão, também envolve outros fatores de risco, como envelhecimento, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas acima de 55 anos apresentam maior vulnerabilidade, sobretudo quando há acúmulo dessas condições. Os sinais de alerta incluem dificuldade na fala, perda de força em um dos lados do corpo, alterações visuais, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa, exigindo atendimento imediato.
Entre os tipos de AVC, o isquêmico — responsável por cerca de 85% dos casos — ocorre devido à obstrução de uma artéria cerebral, enquanto o hemorrágico resulta do rompimento de um vaso, sendo considerado mais grave e com maior risco de morte.
Falhas no atendimento ainda contribuem para o agravamento dos casos. A demora no reconhecimento dos sintomas, atrasos na realização de exames como tomografia e a perda do tempo ideal para intervenções médicas são apontados como fatores críticos. Durante a internação, problemas como erros de medicação, monitoramento inadequado e falhas na comunicação entre equipes também impactam negativamente a evolução dos pacientes. Após a alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação incompleta das causas aumentam o risco de novos episódios.
No caso do infarto, os principais sintomas incluem dor ou pressão no peito, que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas, além de falta de ar, suor frio, náuseas e tontura. Em alguns casos, os sinais podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por atendimento e reduz as chances de recuperação.
Especialistas destacam que erros evitáveis, como diagnóstico tardio, falhas no uso de medicamentos e falta de continuidade no cuidado após a alta hospitalar, contribuem diretamente para o aumento da mortalidade. A adoção de protocolos estruturados de qualidade e segurança, como os modelos de acreditação hospitalar, tem sido apontada como uma estratégia eficaz para reduzir complicações e melhorar o atendimento.
A implementação de processos organizados permite a identificação precoce de pacientes de risco, maior integração entre equipes e respostas mais rápidas em situações críticas. Nesse contexto, a prevenção, o diagnóstico precoce e a qualidade da assistência são considerados fatores decisivos para reduzir o número de mortes evitáveis relacionadas às doenças cardiovasculares.
