SAÚDE – “Fundação do Câncer Atualiza Guia de Prevenção do Câncer de Colo do Útero com Novas Diretrizes e Testes Moleculares para Detecção do HPV”

A Fundação do Câncer apresentou, na última quinta-feira, uma versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, em um esforço para reforçar a conscientização durante o Janeiro Verde, um mês dedicado à prevenção desta doença. A primeira versão do guia foi disseminada em 2022 e enfatizava a importância da vacinação contra o HPV, vírus responsável por uma infecção sexualmente transmissível com alta prevalência mundial, além do exame Papanicolau, um método tradicional de rastreamento.

A nova edição do guia busca orientar os profissionais de saúde na transição do método de rastreamento, que está progressivamente substituindo o Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV. A consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, ressaltou que tanto a vacinação quanto o rastreamento passaram por significativas atualizações desde 2022. Em especial, ela mencionou que, em 2024, os testes moleculares foram integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para detectar tipos de HPV oncogênicos, com o processo de implementação iniciado em setembro do ano anterior.

A substituição gradual do Papanicolau pelo teste molecular promete não apenas uma detecção mais precoce, mas também uma aplicação mais eficaz das estratégias de prevenção do câncer de colo do útero. O novo exame é capaz de identificar a infecção pelo HPV antes que lesões precursoras possam se desenvolver, ampliando assim as possibilidades de intervenção médica.

O público-alvo do novo método de rastreamento se mantém em mulheres de 25 a 64 anos, o que difere de práticas adotadas em outros países que iniciam a coleta de dados a partir dos 30 anos. A periodicidade dos testes também está em mudança: enquanto o Papanicolau requer uma nova coleta a cada três anos após resultados negativos, o teste molecular permite um intervalo de cinco anos, dado seu alto índice de sensibilidade.

O Brasil comprometeu-se com a Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, estabelecendo metas até 2030, tais como vacinar 90% das meninas até 15 anos, rastrear 70% da população de mulheres com testes moleculares e tratar 90% das pacientes com lesões precursoras ou câncer. A vacinação continua a ser a forma mais eficaz de prevenção, sendo disponibilizada pelo SUS desde 2014. A vacina quadrivalente oferece proteção contra os tipos mais associados ao câncer de colo do útero.

Além da vacinação, o tratamento oportuno é o terceiro pilar da estratégia, garantindo que as pacientes recebam o cuidado necessário de forma rápida e eficiente. A execução desta rede de prevenção e cuidado é fundamental para que os esforços não sejam em vão e para que mulheres em risco recebam a atenção necessária.

Dessa forma, o guia atualizado propõe uma nova abordagem no combate ao câncer de colo do útero, unindo prevenção e tratamento com dados robustos e práticas baseadas em evidências científicas, podendo eventualmente transformar o panorama da saúde pública nesse âmbito.

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