A PrEP consiste na administração de medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV, proporcionando uma barreira eficaz contra a infecção. O professor Magno destaca que nem todos os homens que fazem sexo com outros homens se identificam abertamente como gays, o que torna a abordagem do estudo ainda mais relevante e necessária. Com a participação de aproximadamente 1.400 jovens, o projeto, denominado “PrEP na Comunidade (COmPrEP)”, será realizado simultaneamente em Salvador e em São Paulo.
Além da Fiocruz, a pesquisa conta com a colaboração de instituições como a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Faculdade de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP). O estudo também recebe financiamento do National Institutes of Health (NIH), com a parceria do Ministério da Saúde e de diversas secretarias estaduais e municipais, além de organizações da sociedade civil.
O público-alvo da pesquisa é considerado altamente vulnerável à infecção pelo HIV. A dificuldade de acesso a serviços de saúde é um fator significativo; muitos jovens enfrentam barreiras, como a falta de acolhimento nos serviços oferecidos. Os dados do Ministério da Saúde revelam que apenas 0,2% dos usuários de PrEP no Brasil estão na faixa etária de 15 a 19 anos, enquanto a taxa de incidência de infecções nessa faixa está aumentando, demonstrando um desafio urgente em acessar essa população.
Para superar essas barreiras, a pesquisa irá testar a abordagem do pré-teste na comunidade, que será realizada por educadores pares — jovens capacitados e supervisionados por profissionais de saúde. Esse método visa não apenas facilitar o acesso ao tratamento, mas também criar um ambiente mais receptivo para os jovens.
Os participantes do estudo serão divididos em dois grupos: um receberá o atendimento habitual em unidades de saúde, enquanto o outro terá acesso à PrEP por meio de educadores pares. O acompanhamento se estenderá por até 12 meses, avaliando indicadores como adesão e continuidade no uso da profilaxia.
O recrutamento de participantes começará entre setembro e outubro do próximo ano, após a realização de um mapeamento dos espaços de sociabilidade em Salvador e São Paulo. Jovens aceitando participar do estudo serão sorteados para um dos dois grupos, com resultados finais projetados para 2028. Essa inovadora pesquisa não só pode impactar a prevenção do HIV, mas também contribuir para a destigmatização do tratamento entre públicos frequentemente marginalizados.






