Essa situação é ainda mais crítica em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que lideram o ranking de espera com cerca de 12,5 mil pacientes aguardando por um transplante de córnea. A pandemia da covid-19 é apontada como um dos principais fatores que contribuíram para esse aumento, impactando significativamente os procedimentos eletivos. Em 2020, por exemplo, houve um aumento de 33% na fila de espera, passando de 12.212 em 2019 para 16.337.
Além dos efeitos da pandemia, a insuficiência de doadores e problemas na gestão de transplantes também são apontados como razões para o crescimento da lista de espera. A média nacional de espera para realizar um transplante de córnea é de 194 dias, pouco mais de 6 meses. Estados como o Maranhão e Pará lideram com um tempo de espera de cerca de 19 meses, enquanto locais como Ceará, Paraná e Pernambuco têm uma espera consideravelmente menor.
Para zerar a fila de espera atual, o CBO estima que seria necessário praticamente dobrar a capacidade anual de transplantes no país. Apesar dos esforços, a demanda crescente não tem sido absorvida com rapidez, e a entidade alerta para a importância de uma distribuição equitativa dos recursos em regiões menos desenvolvidas.
Durante o 68º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontecerá em setembro, a temática dos transplantes de córnea será discutida com o intuito de buscar soluções e melhorias para essa situação preocupante no Brasil. A conscientização sobre a importância da doação de órgãos e investimentos em infraestrutura são apontados como estratégias essenciais para reduzir a fila de espera e garantir um acesso mais igualitário e eficaz aos transplantes.






