Entre os dados ausentes, destaca-se a falta de informações sobre a raça e cor da pele de mais de 36% dos pacientes, além da ausência de dados sobre a escolaridade de cerca de 26%. O epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, enfatizou a relevância destas informações, especialmente em um país onde a radiação ultravioleta frequentemente atinge níveis elevados. A carência de dados sobre raça e escolaridade limita análises mais precisas sobre desigualdades raciais, segundo Scaff.
A Região Sudeste apresentou a maior falta de informações sobre raça/cor da pele, com 66,4% dos casos de câncer de pele não melanoma e 68,7% para melanoma. Já na Região Centro-Oeste, o percentual de informações ausentes sobre escolaridade foi alarmante, chegando a 74% para câncer não melanoma e 67% para melanoma. Tais deficiências de dados comprometem ações preventivas e a detecção precoce, que são fundamentais para reduzir diagnósticos tardios.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) reforça que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil, sendo os carcinomas basocelular e espinocelular os mais frequentes. Embora o melanoma seja menos comum, ele é mais agressivo e capaz de se disseminar rapidamente. O Inca estima que, de 2026 a 2028, cerca de 263.282 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 de melanoma devem ser registrados anualmente.
Pessoas a partir dos 50 anos apresentam maior risco, e enquanto os homens são mais afetados pelo câncer não melanoma, o melanoma impacta tanto homens quanto mulheres de maneira semelhante. A exposição à radiação ultravioleta é reconhecida como o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele, e o risco se intensifica para indivíduos com pele clara.
Scaff alerta que a questão deve ser ampliada. Profissionais de setores que operam ao ar livre, como construção civil e agricultura, enfrentam riscos elevados e necessitam de mais do que apenas protetores solares; equipamentos de proteção individual, incluindo roupas e chapéus, são igualmente essenciais.
A Agência Brasil solicitou um posicionamento do Ministério da Saúde sobre o estudo, que continua em análise. A falta de informações abrangentes não apenas prejudica a resposta do sistema de saúde, mas também impede que se tracem estratégias eficazes para combater a crescente incidência de câncer no país.
