O levantamento, que faz parte de uma edição da renomada revista científica The Lancet, foi conduzido por uma equipe de 12 pesquisadores, incluindo especialistas da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados indicam que os 109 mil casos evitáveis podem ser divididos em duas categorias: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, essas doenças poderiam ter sido evitadas completamente, enquanto 44,2 mil correspondem a mortes que poderiam ter sido evitadas por meio de diagnósticos mais precoces e melhores condições de tratamento.
No cenário global, a pesquisa abordou 35 tipos de câncer em 185 países e revelou que 47,6% dos óbitos podem ser prevenidos. Isso se traduz em cerca de 4,5 milhões de mortes que poderiam ter sido evitadas de um total de 9,4 milhões. Os pesquisadores destacam a relevância de cinco fatores de risco, como uso de tabaco, consumo excessivo de álcool, obesidade, exposição à radiação ultravioleta e diversas infecções virais e bacterianas.
Além de apresentar dados alarmantes, o estudo também expõe disparidades significativas na incidência de mortes evitáveis entre diferentes nações. Enquanto países do norte da Europa, como Suécia e Noruega, têm taxas de mortes evitáveis em torno de 30%, na África, a situação é crítica: em Serra Leoa, 72,8% das mortes por câncer são consideradas evitáveis.
As desigualdades também se refletem nas classificações por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nos países com baixo IDH, 60,8% das mortes poderiam ser evitadas, enquanto nas nações de IDH muito alto, a taxa de mortes evitáveis é de 40,5%.
Dentre os tipos de câncer, os mais relacionados a mortes evitáveis são os de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero. O câncer de pulmão destaca-se como principal responsável por mortes preveníveis, respondendo por 34,6% do total. Em contrapartida, o câncer de mama nas mulheres, embora tratável, apresentou 200 mil mortes, representando 14,8% dos casos.
Para reduzir esses índices, os pesquisadores recomendam ações que incluam campanhas de conscientização sobre os riscos do tabagismo e do consumo de álcool, além de iniciativas para o combate à obesidade e à prevenção de infecções associadas ao câncer, como o HPV. Eles defendem que esforços globais são necessários para melhorar o diagnóstico e tratamento de câncer, especialmente em países com baixo e médio IDH. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer realizam campanhas constantes visando a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer, com o intuito de salvar vidas e reduzir estatísticas preocupantes.







