A diferença na cobertura do pré-natal é alarmante: de 99,4% na primeira consulta, essa taxa cai para 78,1% até a sétima consulta. A melhor prática recomenda que as gestantes comecem o acompanhamento assim que confirmem a gravidez, idealmente até a 12ª semana. No entanto, as mulheres com menor nível educacional enfrentam maiores dificuldades: enquanto 86,5% das gestantes com mais instrução completam o ciclo de consultas, esse número despenca para apenas 44,2% entre aquelas com menos escolaridade.
Particularmente preocupante é a situação das mulheres indígenas, que enfrentam uma dupla barreira – a educação formal e a origem étnica. Apenas 19% deste grupo alcançam a quantidade recomendada de consultas, um número drasticamente inferior aos 88,7% de mulheres brancas com 12 ou mais anos de escolaridade. Na comparação, 51,5% das indígenas completam o acompanhamento, em contraste com 84,3% das brancas.
Além das disparidades raciais, a localização geográfica também desempenha um papel relevante. Na Região Norte, apenas 63,3% das gestantes têm acesso completo ao pré-natal, cifra que melhora nas regiões Sudeste (81,5%) e Sul (85%). Os dados revelam que a situação é ainda mais crítica entre gestantes adolescentes, com uma cobertura de apenas 67,7%.
A pesquisa, que analisou mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados em 2023, ressalta a necessidade de políticas públicas específicas para grupos vulneráveis. Especialistas apontam que a implementação de iniciativas para combater o racismo estrutural e a discriminação na assistência à saúde é fundamental. Para isso, é preciso criar um ambiente onde todas as gestantes, independentemente de sua origem, tenham acesso igualitário ao pré-natal e compreendam sua importância.
O suporte familiar durante o pré-natal é outro ponto crucial. A presença do pai durante as consultas pode contribuir para um melhor entendimento e cuidado com a saúde da gestante e do bebê. Além de atender as necessidades físicas de saúde, o pré-natal também educa sobre a amamentação e outras práticas essenciais, como alimentação saudável.
O fortalecimento do acesso a serviços de saúde exige não apenas a disponibilização de transporte para as gestantes, mas também um vínculo sólido com os profissionais de saúde. O apoio contínuo e a abordagem proativa são essenciais para a melhoria das taxas de acompanhamento no pré-natal. A responsabilidade é de todos os setores da sociedade, incluindo o governo, para que medidas eficazes sejam adotadas e as desigualdades no sistema de saúde sejam enfrentadas.
