SAÚDE –

Estudo revela acesso limitado a diagnósticos e terapias para autistas no Brasil, destacando fragilidades nas políticas públicas e na educação inclusiva.

Na última quinta-feira, um estudo inédito, intitulado “Mapa Autismo Brasil” (MAB), revelou dados preocupantes sobre o acesso ao diagnóstico e à terapia para pessoas autistas no Brasil. Realizado pelo Instituto Autismos, o estudo é considerado o primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre a população autista, abrangendo 23.632 entrevistas entre março e julho deste ano. O objetivo foi compreender melhor o perfil dos autistas brasileiros e a disponibilidade de serviços a que têm acesso.

De acordo com os dados coletados, aproximadamente 25% da população brasileira possui planos de saúde, mas apenas 20,4% dos entrevistados confirmaram ter obtido o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) através do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o estudo revelou que apenas 15,5% dos participantes realizam terapias por meio da rede pública, enquanto mais de 60% recorrem a planos de saúde ou pagam diretamente pelos serviços.

O Instituto Autismos destacou que a situação é ainda mais angustiante: 56,5% dos entrevistados afirmaram que as pessoas autistas para as quais respondem recebem apenas até duas horas de terapia por semana, muito abaixo do que é recomendado internacionalmente para intervenções multidisciplinares.

Além disso, o estudo oferece um panorama sobre a distribuição sociodemográfica dos autistas no país. A maioria (60,8%) se declara branca, a faixa etária predominante é de jovens até 17 anos (72,1%), e existe um alto índice de desigualdade de renda, com 28,6% vivendo com menos de R$ 2.862 mensais. As comorbidades também são uma preocupação, com 51,5% dos participantes apresentando Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), entre outras condições associadas.

No que diz respeito ao acesso ao diagnóstico, o estudo ressalta a importância da intervenção precoce, já que a maioria dos diagnósticos (51,7%) é realizada até os 4 anos de idade. Porém, a mediana de diagnóstico é 4 anos, enquanto a média é 11 anos, o que indica que muitos ainda são diagnosticados tardiamente.

A pesquisa também apontou que, no que tange às terapias, 52,2% dos autistas fazem psicoterapia, enquanto apenas 15,5% utilizam o SUS para tal. O resultado sugere que há uma enorme disparidade na qualidade e quantidade de terapia disponível, refletindo dificuldades no acesso e na cobertura de serviços de saúde.

Por fim, as dificuldades se estendem ao âmbito escolar e ao mercado de trabalho. Enquanto 83,7% dos autistas estão matriculados em instituições de ensino, 39,9% não recebem suporte especializado, evidenciando falhas nas políticas de inclusão educacional. Caso semelhante se repete no mercado de trabalho, pois quase 30% dos adultos autistas estão desempregados.

Essas informações são alarmantes e indicam a urgência em revisar as políticas públicas relacionadas ao autismo no Brasil, a fim de garantir suporte e inclusão efetiva para esta parcela da população.

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