A pesquisa, realizada pelo Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), revela a intensidade e a gravidade das consequências da infecção causada pelo vírus durante a gestação. A pesquisadora Maria Elizabeth Lopes Moreira, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, destaca que nunca antes foram reunidos tantos casos em um único estudo. Com os dados, os pesquisadores buscaram descrever a microcefalia associada ao Zika e uniformizar as informações para entender a extensão dessa condição em particular.
De acordo com Maria Elizabeth, o Brasil sofreu uma epidemia de Zika entre 2015 e 2016, levando a uma das maiores taxas de microcefalia e outras síndromes congênitas do mundo. Um dos avanços mais notórios da pesquisa foi definir a morfologia da microcefalia relacionada ao Zika, diferenciando-a de outras formas da condição. O estudo também fez um esforço rigoroso para analisar dados originais, abrangendo um número considerável de crianças.
Embora a microcefalia seja um resultado crítico da infecção, as consequências vão além. Entre as crianças do estudo, anormalidades estruturais do sistema nervoso central e outras complicações neurológicas, como epilepsia e distúrbios auditivos, foram frequentemente observadas. A análise revelou que cerca de 71,3% apresentaram microcefalia ao nascer, e muitas enfrentam desafios na inclusão escolar e no desenvolvimento.
Além disso, as pesquisadoras ressaltam a importância da estimulação precoce. A exposição ao Zika pode ter efeitos duradouros, mesmo em crianças que não nascem com microcefalia, já que essa condição também pode levar a atrasos no desenvolvimento.
Enquanto não existe um tratamento específico para o vírus, recomenda-se que mulheres grávidas evitem áreas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti, destacando que uma vacina eficaz é crucial para o futuro. O estudo não apenas trouxe novos insights científicos, mas também expôs a necessidade urgente de assistência e cuidados permanentes para crianças afetadas e suas famílias, que frequentemente enfrentam dificuldades significativas no sistema de saúde brasileiro. A continuidade da pesquisa será fundamental para monitorar o desenvolvimento dessas crianças e buscar soluções eficazes para os desafios apresentados pela síndrome.
