A diretora científica da Café Consciência, parceira do IDOR, Silvia Oigman, explicou que a fragrância do café ativa uma região específica no cérebro, o núcleo acumbens, que é responsável pelo sistema de recompensas. Essa ativação é semelhante à causada por substâncias psicoativas, como a cocaína. Com base nessa descoberta, os pesquisadores decidiram utilizar o aroma do café como um potencial substituto para a vontade de fumar.
O estudo piloto realizado em 2016, com 16 fumantes, serviu de base para uma pesquisa mais ampla, realizada em 2022, com os 60 voluntários. Apesar de não terem sido encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, os resultados indicam um potencial na utilização do aroma do café como terapia para reduzir o desejo de fumar.
A pesquisa recebeu investimentos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e tem como objetivo final desenvolver uma formulação terapêutica à base de voláteis de café para auxiliar usuários crônicos de tabaco. Os pesquisadores planejam realizar um novo ensaio clínico com um maior número de participantes, utilizando dispositivos eletrônicos para a entrega da fragrância do café.
Após a realização deste novo ensaio clínico, o grupo de pesquisadores pretende avançar no projeto e desenvolver uma abordagem terapêutica inovadora para ajudar no combate ao tabagismo. A pesquisa já resultou na concessão de nove patentes nos Estados Unidos, Europa e Ásia, com mais três patentes em processo de aprovação no Brasil, Austrália e Canadá.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é responsável por mais de 8 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Com a crescente preocupação com a saúde pública, estudos como o realizado pelos pesquisadores brasileiros podem contribuir significativamente para a busca de soluções inovadoras no tratamento do vício do tabagismo.
